Justiça britânica retoma julgamento da BHP sobre tragédia de Mariana em janeiro

Há 11 meses
Atualizado sexta-feira, 15 de agosto de 2025

No próximo dia 13 de janeiro, o tribunal britânico retoma o julgamento sobre a responsabilização ou não da mineradora angloaustraliana BHP na tragédia de Mariana (MG). O rompimento da barragem da Vale ocorreu em 2015 e despejou 62 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração na região, resultando num dos maiores desastres ambientais do Brasil. O acidente deixou 19 vítimas fatais e a lama atingiu o Rio Doce cuja Bacia hidrográfica emgloba 230 minicípios do estado de Minas Gerais. A empresa Samarco, que atuava em Mariana, é controlada pela Vale e pela BHP.

O processo foi iniciado pelo escritório de advocacia Pogust Goodhead (PG), que representa 620 mil pessoas, 46 municípios e 1.500 empresas atingidas pela tragédia, a fim de responsabilizar a BHP no Reino Unido. A ação tramita na Corte de Tecnologia e Construção de Londres.

Na Corte, as sessões foram iniciadas no dia 21 de outubro e suspensas no último dia 20 de dezembro devido ao recesso de fim de ano da Justiça britânica. Nos dois primeiros meses do julgamento, foram apreciados documentos e ouvidos os depoimentos de diversas testemunhas. A Vale não é ré nesta ação.

Conforme o PG, a Samarco já sabia desde 2013 que a barragem estava operando acima dos limites apropriados e que não havia um plano de evacuação adequado no distrito de Bento Rodrigues, onde se localizava a estrutura.

O autor da ação também afirma que um ex-engenheiro da BHP admitiu ter conhecimento de rachaduras na estrutura em 2014, mas não houve ação suficiente para prevenir o colapso. Os depoimentos mostraram que a BHP tinha controle estratégico sobre a Samarco, incluindo auditorias, decisões operacionais e práticas de remuneração.

O escritório e a BHP também convidaram especialistas em direito societário para esclarecer à Justiça britânica para explicar se um acionista majoritário, no caso a empresa angloaustraliana, pode ou não ser considerada responsável por um incidente ocorrido em uma empresa da qual é acionista, no caso a Samarco.

Segundo o escritório PG, o especialista nomeado pelas vítimas argumentou que acionistas em grupos de controle podem ser responsabilizados individualmente por abusos de poder e que a responsabilidade social corporativa deve ser uma prioridade nesses casos.

No Brasil, um acordo foi homologado em novembro passado pelo Supremo Tribunal Federal entre as empresas Samarco, Vale e BHP e as vítimas. “Reforçando o comprometimento da BHP com a reparação no Brasil, em outubro foi assinado o novo e definitivo acordo com governo brasileiro e as autoridades públicas, somando R$ 170 bilhões para a reparação dos impactos do rompimento. O acordo, integralmente homologado pelo STF em novembro de 2024, dá continuidade e amplia os trabalhos de reparação realizados até agora”, informou a BHP Brasil por meio de nota.

A BHP informou ainda que “refuta integralmente os pedidos formulados na ação ajuizada na Inglaterra. Continuamos a trabalhar em estreita colaboração com a Samarco e a Vale para apoiar o processo contínuo de reparação e compensação em andamento no Brasil”.

Próximos passos

Entre os dias 13 e 21 de janeiro, serão ouvidos especialistas em direito ambiental brasileiro. De 22 a 29, será a vez de especialistas em geotecnia. Em fevereiro, as partes envolvidas prepararão suas alegações finais, que serão apresentadas entre 5 e 13 de março.

A expectativa é de que a Justiça britânica decida sobre a responsabilidade ou não da BHP ainda em 2025. Caso a empresa seja considerada responsável pelo desastre, um novo julgamento definirá os valores de indenização. O escritório PG estima valores em torno de R$ 230 bilhões.

Autor

Leia mais

A foto mostra o ministro do STF, Alexandre de Moraes, em julgamento no plenário da Corte. Ele é um homem branco e careca.

Moraes estabelece regras para visitas a condenados por tentativa de golpe

Há 8 horas
TSE autoriza mudança de nome do PMB para ‘Democrata’

TSE autoriza mudança de nome do ‘Partido da Mulher Brasileira (PMB)’ para ‘Democrata’

Há 9 horas
Apenas restingas em três situações são consideradas APPs, decide o STJ

Apenas restingas na faixa de 300 m da linha de preamar, fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues são APPs, decide STJ

Há 9 horas
A foto mostra a fachada do prédio da Eletrobras

STF suspende julgamento sobre Eletrobras com placar apertado de 5 a 4

Há 9 horas
Ministor Flávio Dino, do STF

Dino veta emendas de Eduardo Bolsonaro e Ramagem por ausência do país

Há 9 horas
Gilmar Mendes rejeita pedido da AGU para reconsiderar suspensão de itens da Lei do Impeachment

Gilmar Mendes rejeita pedido da AGU para reconsiderar suspensão de trechos da Lei do Impeachment

Há 10 horas
Maximum file size: 500 MB