Mesmo em um cenário de políticas migratórias mais restritivas nos Estados Unidos, os brasileiros seguem entre os principais solicitantes de visto. Dados recentes do Departamento de Estado norte-americano mostram que, em 2025, a taxa de negativas para vistos de turismo e negócios (B1/B2) solicitados por brasileiros ficou em 14,8%, levemente abaixo do índice registrado no ano anterior, que foi de 15,4%.
Os números revelam duas realidades importantes: a demanda continua alta, mas o nível de rigor permanece significativo. Em um ambiente em que cerca de 15% dos pedidos são recusados, a diferença entre aprovação e negativa pode estar diretamente ligada à estratégia adotada desde o início do processo e, principalmente, a quem está juridicamente responsável por ele.
Para a advogada Dra. Ingrid Domingues-McConville, com mais de 30 anos de atuação nos Estados Unidos, imigração é, antes de tudo, estratégia jurídica. “Não se trata apenas de preencher formulários. É preciso analisar histórico, identificar riscos, definir a categoria adequada e estruturar o caso com base na lei. Sem exceção, somente um advogado pode avaliar se a pessoa se qualifica e indicar o visto correto”, afirma.
Segundo ela, cresce o número de estruturas que se apresentam como “consultorias com equipe jurídica”, mas que não garantem ao cliente contato direto com um advogado habilitado. O ponto central, segundo Ingrid, não é comercial, é jurídico. “Consultorias não são advogados. Se não há acesso direto ao profissional responsável, pode não existir supervisão jurídica real. E isso compromete a qualidade da estratégia e a segurança do processo”, alerta.
Para orientar brasileiros que desejam reduzir riscos, Ingrid aponta critérios essenciais antes de contratar qualquer serviço migratório:
1. Transparência sobre quem responde juridicamente pelo processo
“O interessado deve saber o nome completo do advogado responsável, em qual estado ele é licenciado e qual é o número da licença profissional. Essa informação não é detalhe, é garantia de responsabilidade legal. Se não está claro quem assina e responde pelo caso, há um problema estrutural”, explica a advogada.
2. Participação efetiva do advogado na estratégia
“É normal que o primeiro contato seja feito por um membro da equipe administrativa, responsável por coletar dados iniciais. No entanto, a análise de elegibilidade, a definição da categoria e as decisões jurídicas devem ser conduzidas pelo advogado. E esse contato precisa ser contínuo, não pontual”, pontua.
3. Ausência de promessas irreais ou garantias de aprovação
“Imigração séria é construída com base na lei e na prova documental. Não existe aprovação garantida. Promessas de caminhos fáceis ou de resultados certos desconsideram a complexidade jurídica envolvida. Se você pede para falar com o advogado e isso é evitado ou negado, essa é a sua resposta”, orienta.
A advogada também destaca um ponto pouco compreendido por muitos solicitantes: perante o governo americano, o responsável pelas informações apresentadas é sempre o próprio requerente. “Mesmo que o erro tenha sido cometido por terceiros, as consequências recaem sobre o cliente. Por isso, é fundamental que exista responsabilidade jurídica clara na condução do caso”, conclui a Dra. Ingrid Domingues-McConville.


