Testemunhas de Anderson Torres afirmam que PM do DF não é subordinada à secretaria de Segurança

Há 10 meses
Atualizado sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Por Carolina Villela

O Supremo Tribunal Federal (STF) ouviu nesta quarta-feira (28) duas testemunhas de defesa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres, réu no processo que investiga a tentativa de golpe de Estado. Durante depoimentos conduzidos pelo ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal (AP)2628, os depoentes negaram qualquer direcionamento político nas ações do ministério e defenderam a conduta “extremamente ética” de Torres.

As testemunhas Antonio Ramiro Lourenzo, ex-secretário executivo do Ministério da Justiça, e o coronel Rosivan Correia de Souza prestaram depoimento como parte da estratégia de defesa do ex-ministro, que integra o chamado “Núcleo 1” da investigação sobre os atos golpistas. 

Moraes contesta versão sobre hierarquia policial

Ao ser questionado pela defesa, o coronel da Polícia Militar do DF, Rosivan Correia de Souza, afirmou que o Comando-Geral da PM não estava subordinado à Secretaria de Segurança Pública. “Não, senhor”, afirmou o coronel.

Após o procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, insistir na pergunta, o advogado voltou a afirmar que não havia relação de subordinação da PM com a Secretaria de Segurança Pública, mas de vinculação.

Utilizando sua experiência como ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo, Moraes interveio: “a relação é de total subordinação. É o secretário de Segurança que comanda a Polícia Militar e a Polícia Civil”, afirmou.

Rosivan disse que a situação do Distrito Federal era diferente de outros estados e que havia apenas vinculação e não subordinação.

Moraes ironizou: “O secretário de segurança é uma Rainha da Inglaterra aqui?”

O coronel respondeu: “eu não diria uma rainha da Inglaterra, mas, aqui, atualmente a gente até tem uma vinculação que é mais forte. Hoje, existe até mais questão de subordinação”, se referindo às mudanças adotadas pelo governo de Ibaneis Rocha (MDB-DF).

O ministro reagiu às explicações da defesa de Torres e da testemunha sobre a suposta falta de subordinação hierárquica entre a Secretaria de Segurança e as polícias e comparou: “querer dizer que a secretaria de Segurança não exerce hierarquia sobre as polícias é querer dizer que o presidente da República não é chefe das Forças Armadas”.

Coronel relata reunião sobre segurança em janeiro

O coronel Rosivan Correia de Souza confirmou ter participado de uma reunião para discutir ações de segurança no dia 6 de janeiro de 2023, dois dias antes dos atos antidemocráticos em Brasília. Segundo seu relato, havia poucas informações disponíveis sobre as manifestações que se preparavam na capital federal.

O militar afirmou não se recordar se Anderson Torres assinou o planejamento de segurança para o dia 8 de janeiro, data dos ataques aos Três Poderes. Contudo, ressaltou que nenhum protocolo de ações integradas era implementado sem a aprovação do secretário de Segurança Pública, função exercida por Torres no DF.

Durante o depoimento, Souza sustentou que a Polícia Militar do Distrito Federal mantém apenas “vinculação” com a Secretaria de Segurança Pública, não subordinação hierárquica. A explicação foi contestada duramente por Alexandre de Moraes, que ironizou a tentativa de minimizar a autoridade da secretaria sobre as forças policiais.

Ex-secretário executivo defende conduta de Torres

Durante seu depoimento, Antonio Ramiro Lourenzo, ex-secretário executivo do ministério da Justiça, enfatizou que Anderson Torres sempre demonstrou “isenção” entre as ações oficiais do ministério e suas opiniões pessoais. O brigadeiro da reserva relatou preocupação quando soube que seria realizada uma transmissão ao vivo sobre urnas eletrônicas nas dependências do Ministério da Justiça, conseguindo convencer o então ministro a mudar o local do evento.

Lourenzo revelou ter elaborado pessoalmente o texto lido por Torres durante a polêmica live, baseando-se em relatórios da Polícia Federal sobre eleições anteriores. Segundo o depoente, orientou o ministro a ler apenas os trechos marcados e a não omitir opiniões durante a transmissão, demonstrando cautela com o conteúdo apresentado.

A testemunha negou  qualquer direcionamento político nas operações policiais durante as eleições de 2022. “Nunca houve direcionamento maligno para qualquer candidato”, afirmou, sustentando que o foco das ações era exclusivamente o combate ao crime eleitoral, independentemente do candidato envolvido. 

“Se nós apreendermos uma sacola com dinheiro seja do candidato A ou B é para prender na hora”, teria afirmado Torres ao orientar as ações, de acordo com o depoente.

Negativa sobre reuniões com Bolsonaro e militares

Questionado pelo ministro Alexandre de Moraes, Lourenzo negou ter participado de reuniões com o ex-presidente Jair Bolsonaro ou representantes das Forças Armadas para discutir questões relacionadas ao processo eleitoral. O ex-secretário executivo também afirmou nunca ter ouvido a palavra “golpe” durante sua permanência no ministério, momento em que foi alertado por Moraes que deveria responder apenas sobre fatos. 

O depoente admitiu ter feito publicações críticas à esquerda após a tentativa de invasão da sede da Polícia Federal em Brasília, em novembro de 2022. No entanto, atribuiu as postagens à “emoção” do momento e reconheceu que deveria  Ao justificar postagens na internet, reconheceu que se tratam de “opiniões pessoais, das quais deveria guardar e não colocá-las nas redes sociais”.

Quando questionado por Moraes se a tentativa de invasão à PF não seria uma pauta relevante para o Ministério da Justiça, Lourenzo insistiu que a responsabilidade caberia à Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal.

Das cinco testemunhas inicialmente arroladas pela defesa, apenas duas prestaram depoimento. Duas foram dispensadas logo no início da audiência e outra por não estar presente na sala de videoconferência, será remarcada.

Outros depoimentos

Até agora, o STF ouviu 13 testemunhas de defesa de Anderson Torres, 11 delas prestaram depoimento nesta terça-feira (27).  Todas os depoentes negaram planos golpistas ou direcionamento político em ações durante as eleições. Eles também detalharam o planejamento de segurança nos dias que antecederam os ataques de 8 de janeiro

 

Autor

Leia mais

agência bancária em horário de atendimento

TST barra recurso de bancária e mantém perda de função por falta de provas de retaliação

Há 20 horas

Chuck Norris, lutador e lenda dos filmes de ação, morre aos 86

Há 20 horas
Mãos de mulher contam dinheiro à frente de uma placa do INSS

STJ passa a exigir contribuição previdenciária sobre terço de férias após decisão do STF

Há 20 horas
ex-ministro da justiça de Jair Bolsonaro de cabeça baixa à rente de uma bandeira do Brasil

Alexandre de Moraes autoriza Anderson Torres a deixar prisão para tratamento odontológico

Há 20 horas
Plenário do TSE lotado

TSE fixa prazo de afastamento para auditores do TCU que desejam disputar eleições

Há 20 horas
Ministro Carlos Pires Brandão, do STJ

Ministro Carlos Pires Brandão, do STJ, nega HC e mantém preso o presidente da Rioprevidência 

Há 21 horas
Maximum file size: 500 MB