Carta assinada pelo presidente em exercício Geraldo Alckmin e pelo Ministro das Relações Exteriores Mauro vieira.

Brasil manifesta indignação com tarifaço de Trump em carta oficial a Washington

Há 8 meses
Atualizado sexta-feira, 15 de agosto de 2025

O governo brasileiro enviou carta oficial aos Estados Unidos manifestando “indignação” com a imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros anunciada pelo presidente Donald Trump. O documento, datado de 15 de julho e assinado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelo ministro das Relações Exteriores Mauro Vieira, foi direcionado ao secretário de Comércio americano Howard Lutnick e ao representante comercial Jamieson Greer. A correspondência diplomática revela que o Brasil apresentou proposta confidencial em maio para negociar soluções comerciais, mas ainda aguarda resposta dos Estados Unidos.

A carta classifica o tarifaço como medida que terá “impacto muito negativo” em setores importantes de ambas as economias, colocando em risco uma “parceria econômica historicamente forte e profunda”. O governo brasileiro enfatiza que nos dois séculos de relacionamento bilateral, o comércio foi “um dos alicerces mais importantes da cooperação e prosperidade” entre as duas maiores economias das Américas.

O documento oficial contrasta com as declarações públicas mais diplomáticas, revelando o tom firme adotado pelo Brasil nas comunicações diretas com Washington. A correspondência demonstra a estratégia brasileira de manter canais de diálogo abertos enquanto pressiona por soluções negociadas.

Brasil destaca déficit comercial favorável aos EUA

A carta revela dados estratégicos sobre o desequilíbrio comercial entre os países, informando que o Brasil acumula “grandes déficits comerciais” com os Estados Unidos. Segundo o documento, nos últimos 15 anos o déficit brasileiro chegou a “quase US$ 410 bilhões” em bens e serviços, conforme dados do próprio governo americano.

A informação contradiz argumentos americanos sobre vantagens comerciais brasileiras e reforça a posição de Brasília de que as tarifas são injustificadas. O governo brasileiro usa os números para demonstrar que os Estados Unidos já se beneficiam significativamente do comércio bilateral.

O déficit comercial brasileiro é apresentado como evidência da boa-fé nas negociações, mostrando que o país já aceita condições desfavoráveis nas trocas comerciais com os americanos.

Proposta confidencial aguarda resposta

O documento revela que em 16 de maio de 2025, o Brasil apresentou “minuta confidencial de proposta contendo áreas de negociação” para explorar soluções mutuamente acordadas. A iniciativa demonstra proatividade brasileira em buscar alternativas diplomáticas antes da escalada das tensões.

A carta enfatiza que o Brasil “ainda aguarda a resposta dos EUA” à proposta, sugerindo falta de reciprocidade americana no processo negocial. O governo brasileiro havia solicitado em “diversas ocasiões” que os Estados Unidos identificassem áreas específicas de preocupação.

A menção à proposta confidencial indica que existem canais de negociação em andamento, contrariando narrativas de intransigência brasileira. O documento posiciona o Brasil como parte interessada em soluções diplomáticas.

Diálogo de boa-fé mantido desde abril

A correspondência informa que desde antes do anúncio das tarifas recíprocas em 2 de abril, o Brasil mantém diálogo “de boa-fé” com autoridades americanas. A cronologia demonstra que as conversações precedem a atual crise comercial.

O governo brasileiro reitera “interesse em receber comentários” sobre sua proposta e se declara “pronto para dialogar” com autoridades americanas. A postura busca demonstrar abertura para negociações apesar das tensões.

A carta conclui reafirmando o objetivo de “preservar e aprofundar o relacionamento histórico” entre os países e “mitigar os impactos negativos” do tarifaço. A linguagem diplomática mantém portas abertas para soluções futuras.

Estratégia diplomática oficial

O tom da carta revela a estratégia oficial brasileira de combinar firmeza na defesa dos interesses nacionais com manutenção de canais diplomáticos. O documento evita provocações diretas enquanto deixa clara a indignação governamental.

A assinatura conjunta de Alckmin e Mauro Vieira demonstra coordenação entre as áreas econômica e diplomática na resposta brasileira. A formalidade da correspondência reforça o caráter oficial da posição brasileira.

Autor

Leia mais

agência bancária em horário de atendimento

TST barra recurso de bancária e mantém perda de função por falta de provas de retaliação

Há 16 horas

Chuck Norris, lutador e lenda dos filmes de ação, morre aos 86

Há 16 horas
Mãos de mulher contam dinheiro à frente de uma placa do INSS

STJ passa a exigir contribuição previdenciária sobre terço de férias após decisão do STF

Há 17 horas
ex-ministro da justiça de Jair Bolsonaro de cabeça baixa à rente de uma bandeira do Brasil

Alexandre de Moraes autoriza Anderson Torres a deixar prisão para tratamento odontológico

Há 17 horas
Plenário do TSE lotado

TSE fixa prazo de afastamento para auditores do TCU que desejam disputar eleições

Há 17 horas
Ministro Carlos Pires Brandão, do STJ

Ministro Carlos Pires Brandão, do STJ, nega HC e mantém preso o presidente da Rioprevidência 

Há 18 horas
Maximum file size: 500 MB