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Anderson Torres apresentou passagem falsa; acusações de omissão nos ataques de 8/1 agravam situação do ex-ministro

Há 1 ano
Atualizado sexta-feira, 15 de agosto de 2025

O ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Anderson Torres, tornou-se figura central nas investigações sobre os ataques às sedes dos Três Poderes, ocorridos em 8 de janeiro de 2023, em Brasília. Documentos e depoimentos reunidos na Ação Penal 2.668, que tramita no Supremo Tribunal Federal, apontam uma série de contradições, suspeitas de falsificação e omissões relacionadas à viagem de Torres aos Estados Unidos, justamente na véspera dos ataques.

Print de passagem sob suspeita e falta de comprovação

Entre os principais elementos de prova citados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) está a apresentação, pela defesa de Torres, de um print de passagem aérea supostamente comprada em novembro de 2022. A defesa tentou justificar a ausência do ex-secretário no país durante os eventos alegando que a viagem já estaria programada há meses.

Print do documejto enviado pela Gol informando a falsidade do documento apensado ao processo pela defesa de Anderson Torres

No entanto, a Gol Linhas Aéreas, consultada oficialmente, afirmou que o localizador apresentado (“MYIDST”) não corresponde a uma passagem em nome de Anderson Gustavo Torres para o trecho Brasília/Orlando, justamente no voo e data indicados. Além disso, não há registro da compra ou do bilhete de forma autônoma, apenas a imagem inserida na petição. Para a PGR, trata-se de possível falsificação documental, o que pode, inclusive, configurar nova conduta criminosa por parte de Torres.

Comunicação tardia e omissão com o governador

Outro ponto levantado nas alegações finais do Ministério Público diz respeito à comunicação tardia de Anderson Torres com o então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha. Segundo os autos, Torres só avisou o governador que estava deixando o país em 7 de janeiro, quando já se encontrava nos Estados Unidos. O contato, ainda de acordo com os depoimentos, limitou-se ao envio do telefone do substituto de Torres, o então secretário Fernando.

Ibaneis Rocha relatou que só soube da viagem de Torres ao tentar ligar para o secretário e descobrir que ele já estava no exterior, o que foi interpretado como um sinal de descaso e negligência diante do contexto de tensão e risco elevado que rondava a capital federal nos dias que antecederam os ataques.

Férias autorizadas após a partida

A defesa de Anderson Torres também tentou justificar a ausência argumentando que suas férias teriam sido autorizadas previamente. O documento apresentado, contudo, revela que a autorização assinada pelo então presidente Jair Bolsonaro só foi concedida em 27 de dezembro de 2022, para o período de 9 a 20 de janeiro de 2023. Ou seja, de acordo com os registros oficiais, o início das férias seria apenas um dia após os ataques, e não em 6 de janeiro, data em que Torres embarcou para os Estados Unidos. Tal contradição reforça a tese da acusação de que o afastamento do país não estava formalmente autorizado na data dos fatos.

Omissão dolosa e clima de conivência

O Ministério Público sustenta que Anderson Torres, à frente da Secretaria de Segurança Pública, tinha pleno conhecimento do potencial de risco e da movimentação de grupos radicais na capital federal. Mesmo diante desse cenário, optou por se ausentar sem assegurar medidas preventivas ou uma transição adequada do comando das forças de segurança.

Para a PGR, essa postura representa não apenas omissão dolosa, mas também uma possível estratégia deliberada de afastamento para facilitar a ocorrência dos ataques. O órgão ressalta que o comportamento de Torres, ao não informar devidamente o governo e a equipe de segurança, contribuiu para fragilizar a resposta do Estado e transmitir aos manifestantes a impressão de complacência ou alinhamento de parte das autoridades com os atos violentos.

Elementos documentais e testemunhais reforçam acusações

Além das questões envolvendo a passagem aérea e as férias, o processo é rico em provas documentais e testemunhais. Foram reunidas atas de CPIs, despachos judiciais, declarações de integrantes das forças de segurança e autoridades do próprio Distrito Federal, que reforçam a responsabilidade de Anderson Torres na condução do aparato de segurança nos dias críticos.

Esses elementos, no entendimento da Procuradoria-Geral da República, compõem um quadro robusto de indícios de que a viagem de Torres aos Estados Unidos não foi um mero acaso ou evento isolado, mas parte de um contexto de omissão, negligência e possível conivência com os ataques ao Estado Democrático de Direito.

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