Primeira Turma do STF julga admissibilidade da denúncia contra o Núcleo 3 da tentativa de golpe

STF acelera processo da trama golpista e inicia interrogatórios de 23 réus

Há 7 meses
Atualizado sexta-feira, 15 de agosto de 2025

O ministro Alexandre de Moraes finalizou nesta quarta-feira (23) as audiências com testemunhas de três núcleos da ação penal sobre a trama golpista de 2022. Com o encerramento desta etapa, foram agendados para quinta-feira (24) os interrogatórios de 23 réus.

A Procuradoria-Geral da República dividiu a denúncia em cinco núcleos distintos, totalizando 37 réus. Os três grupos que tiveram testemunhas ouvidas desde a semana passada concentram 21 acusados, enquanto o núcleo central com Bolsonaro aguarda a fase final antes do julgamento.

Mudança de ritmo rurpreende defesas

O andamento acelerado das audiências pegou as defesas de surpresa, especialmente após meses de tramitação mais lenta. Inicialmente, havia expectativa de maior foco no núcleo central, que inclui ex-ministros e o próprio ex-presidente, com eventual demora nos demais grupos.

A dinâmica mudou drasticamente desde o final de junho, quando Moraes programou múltiplas audiências para julho. Algumas sessões ocorreram simultaneamente, conduzidas pelos juízes auxiliares Luciana Sorrentino e Rafael Henrique Janela Tamai Rocha, enquanto o relator presidiu a sessão do dia 14 de julho.

Durante as audiências, o delator Mauro Cid esteve entre as testemunhas ouvidas. O procurador-geral Paulo Gonet não compareceu pessoalmente, sendo representado por outros procuradores da República nas sessões realizadas.

Defesas alegam prejuízo ao contraditório

As defesas manifestaram preocupação com o ritmo acelerado do processo, argumentando que o volume extenso de provas prejudica o direito de defesa. O advogado Eduardo Kuntz, que representa o ex-assessor Marcelo Câmara, exemplificou as dificuldades enfrentadas pelos defensores.

“Estou saindo do Batalhão da Polícia do Exército e não pude entrar com meu computador e celular para treiná-lo para o interrogatório. Não tive acesso às íntegras dos depoimentos de testemunhas de defesa e acusação”, declarou Kuntz à imprensa. O advogado solicitou adiamento dos interrogatórios por 15 dias após a disponibilização completa dos materiais.

Inicialmente previstas mais de 150 testemunhas, muitas desistiram ou tiveram seus nomes retirados pelas defesas. Durante as sessões, os juízes priorizaram agilidade e indeferindo perguntas consideradas repetitivas ou irrelevantes para o processo.

Pressão eleitoral influencia cronograma

Advogados avaliam que a proximidade das eleições de 2026 pode estar influenciando a aceleração dos processos. A pressão sobre o STF em torno da trama golpista tende a aumentar durante o período eleitoral, criando expectativa para conclusão dos julgamentos antes da campanha.

Ministros e defensores apostam que a Primeira Turma deve julgar o núcleo central ainda este ano. A previsão de encerrar o caso de Bolsonaro em 2025 circula no Supremo desde o ano passado, visando evitar contaminação do calendário eleitoral.

Uma das estratégias apontadas pelos advogados é que Moraes acelerou os demais núcleos para fortalecer a tese da organização criminosa. Com mais condenações nos outros grupos, consolida-se a narrativa de articulação ampla para ruptura democrática.

Cronologia

O núcleo central com Bolsonaro tornou-se ação penal em março, iniciando tramitação em abril. Os demais núcleos começaram a funcionar a partir de junho, com intervalos entre recebimento das denúncias e abertura formal das ações variando entre 28 e 50 dias.

O último núcleo, formado apenas pelo ex-apresentador Paulo Figueiredo, teve situação peculiar. Após tentativas infrutíferas de localização desde fevereiro, Moraes usou vídeos publicados pelo próprio acusado para considerá-lo oficialmente notificado da acusação em junho.

Com essa estratégia, todas as ações da trama golpista poderão prosseguir simultaneamente, demonstrando a determinação do relator em acelerar o julgamento de um dos casos mais emblemáticos da história recente do país.

Autor

Leia mais

Fernando Haddad, ministro da Fazenda

Haddad diz que conflito no Irã não deve abalar economia do Brasil no curto prazo

Há 8 minutos
Fachada do prédio-sede da PETROBRAS

Petrobras puxa alta do Ibovespa em dia de ataques no Oriente Médio

Há 24 minutos

Gonet limita pagamento de penduricalhos no MP após decisão do STF

Há 37 minutos

STF prorroga por 90 dias regras do Fundo de Participação dos Estados

Há 10 horas

AGU vence na Justiça e garante cálculo integral da compensação financeira cobrada de mineradoras

Há 11 horas
Sessão do TSE

TSE realiza nesta segunda-feira (2) sessão para votar outras sete das 14 resoluções com vistas às eleições 2026 

Há 11 horas
Maximum file size: 500 MB