“Nossa vida social, economia e estrutura está baseada em um clima que não existe mais”, diz ambientalista

Há 7 meses
Atualizado segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Por Hylda Cavalcanti

O pesquisador e ambientalista do Imazon e enviado especial da COP 30, Beto Veríssimo, um dos participantes do Seminário de Planejamento Estratégico Sustentável do Poder Judiciário realizado nesta quinta-feira(26/06) pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) abordou a questão da vida como é vista atualmente.

“Precisamos ter consciência de que nossa vida social, economia e estrutura estão baseadas em um clima que já não existe mais. Estou certo de que o que estamos vivendo agora vai mitigar mudanças profundas a serem percebidas cada vez mais e com maior rapidez”, afirmou.

Veríssimo relatou que, antes, tratava-se de eventos considerados raros, como as inundações no Rio Grande do Sul em 2024. No entanto, pouco mais de um ano depois, o estado volta a enfrentar enchentes, agora com o risco de atingirem novamente grandes proporções.

Fenômenos interconectados

“Os fenômenos climáticos estão interconectados. Portanto, ninguém está a salvo. A crise tem repercussão na biodiversidade. Temos uma floresta com cerca de 100 milhões de vírus que, com o desmatamento e a mudança do clima, podem provocar novas pandemias”, frisou.

Para o pesquisador, um dos caminhos para ajudar a salvar o planeta pode partir do agronegócio. “O Brasil é um grande provedor de energia e tem um setor importante, o agronegócio, que pode se transformar em segmento de baixo carbono”, explicou.

“O Brasil tem muitas florestas, mas também tem áreas degradadas que podem capturar carbono em larga escala. A gente precisa acabar com o desmatamento e compensar esse desmatamento com recuperação”, acrescentou.

Remuneração por hectare/ano

O pesquisador relatou que, na COP 30, uma das iniciativas a ser proposta pelo governo brasileiro é um mecanismo pelo qual cada hectare de floresta seja remunerado por hectare/ano.

“O mercado de captura de carbono tem sido bastante desafiador e por esse mecanismo, todos os hectares receberiam igualmente os créditos”, ressaltou. Outra alternativa, de acordo com ele, seria o Brasil desenvolver um mecanismo de captura de carbono.

Sistemas estratégicos

“Não podemos falar apenas em prevenção e preservação. As queimadas e a degradação das florestas, que estão na UTI, precisam ser observadas com atenção. Sistemas estratégicos físicos operam de forma diferente de sistemas socioeconômicos”, ressaltou.

“A Amazônia, por exemplo, pode chegar ao seu limite dentro dos próximos 10 anos. Poderemos chegar a um momento em que todas as práticas de recuperação da floresta já não consigam mais dar retorno”, disse.

Carbono zero

Na edição deste ano do seminário do STJ, foram abordados dentre os temas principais o Programa Justiça Carbono Zero e os esforços para descarbonização de instituições públicas e privadas brasileiras.

No total, 16 palestrantes participaram do evento. Muitos, eram enviados especiais da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), programada para ser realizada em novembro em Belém (PA).

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