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Ação desta quinta-feira foi maior estratégia interligada entre órgãos contra crime organizado do país

Hylda Cavalcanti Por Hylda Cavalcanti
28 de agosto de 2025
no Governo Federal, Justiça Federal, Manchetes, Ministério Público, Polícia Federal
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Ação foi maior estratégia interligada contra o crime organizado

Por Hylda Cavalcanti

Apesar das várias operações interligadas da Polícia Federal deflagradas nesta quinta-feira (28/08) terem chamado a atenção do país, só foi possível dimensionar a gravidade e imensidão da iniciativa depois do balanço divulgado há pouco pelo Governo Federal. Segundo o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tratou-se da maior estratégia interligada entre os órgãos de investigação e fiscalização fazendária já realizada no país, talvez no mundo.

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Estão nas ruas, no total, três operações — embora uma quarta, em curso em Minas Gerais, também possa vir a obter informações correlatas ao esquema descoberto — com a participação de 1,4 mil profissionais, entre policiais, auditores fiscais e representantes do Ministério Público, dentre outros. 

São 350 os alvos (entre pessoas físicas e jurídicas), e os trabalhos de prisão e de busca e apreensão acontecem em oito estados — embora os ministros tenham falado em 10 estados, mas dois deles não foram divulgados ainda por questões estratégicas.

Juntas, as operações Quasar, Tank e Carbono Oculto, apuraram um esquema de sonegação de R$ 7,6 bilhões e descobriram serviços sofisticados que movimentaram, em quatro anos R$ 52 bilhões. A princípio, em São Paulo, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná e Santa Catarina.

“Dia marcante”

De acordo com o ministro Ricardo Lewandowski (Justiça), o dia é “marcante para o Brasil”. “Temos acompanhado há anos o crime organizado e percebido as infiltrações e ramificações com o objetivo de transformar as atividades ilegais em atividades legais. Não seria possível chegar a esse resultado se não tivéssemos realizado um trabalho em conjunto com os órgãos policiais, governos estaduais, Ministério Público dos estados e a Receita Federal”, enfatizou Lewandowski.

De acordo com o ministro, ao seguirem o caminho do dinheiro, os investigadores descobriram que uma das maiores ações do crime organizado no Brasil tem sido no setor de combustíveis e no sistema financeiro. “Uma operação dessa envergadura só podemos levar a cabo num país como o nosso por meio de uma estratégia macro, a partir do Governo brasileiro e extensiva aos estados”, destacou.

Lewandowski relatou que tudo teve início em fevereiro, quando foi criado um núcleo de combate ao crime organizado para atuar de forma sistêmica e integrada nos vários estados. Ele elogiou a importância do trabalho recebido não apenas pela Receita Federal e pelo Ministério Público, mas principalmente pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, que instaurou um inquérito concentrando todas as investigações sobre o mesmo tema existentes no país.

Postos e refinarias

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, por sua vez, mostrou mais dados obtidos a partir das operações. O esquema vinha sendo feito por meio de 1 mil postos de gasolina, quatro refinarias e mais de 1 mil caminhões para transportar o combustível. “O crime se sofistica a cada dia e temos de nos sofisticar nas nossas apurações também”, frisou Haddad. “Fomos vitoriosos porque conseguimos identificar o caminho do dinheiro”, acentuou.

O ministro afirmou que as apurações chegaram a surpreender os agentes públicos pela forma detalhada como o trabalho era feito, definido por ele como “um esquema extremamente capilar do ponto de vista material, de uso de caminhões e postos de abastecimento, e ao mesmo tempo extremamente sofisticado do ponto de vista financeiro”.

E acrescentou: “O resultado que obtivemos hoje não é obra do acaso, é resultado de um compromisso de Estado, assumido por esse governo no sentido de priorizar o combate ao crime organizado. A investigação tem que andar conjuntamente com a fiscalização. E a forma de trabalho consiste em uma decisão política, no sentido de se usar a inteligência do Estado em conjunto com todos os órgãos para chegar à origem do crime”.

Nova forma de atuação

“Esperamos que essas ações coordenadas se intensifiquem e sejam naturalizadas entre os governos estaduais em apoio com o Governo Federal daqui por diante. A gente sabe que, por meio desse tipo de ilegalidade, que muitas vezes demora para ser combatida ou que não se consegue combater, termina sendo punido o bom empresário”, enfatizou Haddad.

O ministro da Fazenda acrescentou, ainda, que “a ação de hoje deu início a uma nova forma de se trabalhar no país”. Em tempo: dos 350 alvos das investigações, 42 deles estão localizados na Faria Lima, principal polo financeiro do país, localizado na capital paulista.

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