Celso Villardi, advogado de Jair bolsonaro, quer anular delação premiada de Mauro Cid

Defesa de Bolsonaro alega cerceamento e contradições em recurso ao STF

Há 5 meses
Atualizado terça-feira, 28 de outubro de 2025

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro protocolou recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a condenação de 27 anos e 3 meses de prisão, alegando cerceamento de defesa, contradições na sentença e questionando a validade da delação de Mauro Cid. Os embargos de declaração apresentados nesta segunda-feira (27) pedem esclarecimentos sobre omissões e inconsistências na decisão da Primeira Turma da Corte.

A condenação de Bolsonaro se deu no âmbito do processo que apura tentativa de golpe de Estado, e agora caberá ao ministro Alexandre de Moraes, relator da ação, analisar os argumentos da defesa. A decisão pode ser submetida ao plenário da Primeira Turma em sessão virtual.

Questionamento sobre os atos de 8 de janeiro

Um dos principais pontos do recurso é a contestação da tese de que Bolsonaro teria instigado os atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. Segundo a defesa, a inclusão desses fatos na denúncia representaria uma contradição, já que ocorreram após o término do mandato presidencial e sua saída do país.

Os advogados também argumentaram que não houve envolvimento direto do ex-presidente com os manifestantes, tratando-se de um “crime multitudinário”. Eles afirmam que houve tentativa de individualizar de forma indevida a conduta de Bolsonaro.

Delação de Mauro Cid é questionada

Outro ponto central do recurso é a delação premiada de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. A defesa classificou os depoimentos como involuntários, sustentando que Cid teria mentido desde o início por ter sido pressionado. A validade e a credibilidade de suas declarações foram colocadas em xeque no texto do embargo.

Além disso, a defesa ressaltou que a ausência dos advogados em audiências e interrogatórios de outros núcleos do processo prejudicou a ampla defesa, apontando como consequência o desmembramento das investigações.

Alegações de omissão e desproporcionalidade

Os advogados também criticaram o acórdão por não apresentar as premissas que justificaram o aumento da pena. Embora não tenham pedido expressamente a redução da sentença, argumentaram que faltam fundamentos objetivos para a dosimetria adotada.

Ainda reiteraram a tese de que o crime de tentativa de golpe de Estado deveria ser absorvido pelo de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, reforçando o voto vencido do ministro Luiz Fux, único a se manifestar pela absolvição.

Atos e documentos sob suspeita

No recurso, também foram questionadas a interpretação do plano “Punhal Verde Amarelo” — que, segundo a denúncia, previa assassinato de autoridades —, a leitura da carta enviada aos comandantes das Forças Armadas, o relatório do Ministério da Defesa sobre a lisura das eleições de 2022, e a chamada “minuta golpista”.

Os advogados também criticaram a forma como a suposta tentativa de desmobilização dos atos de 8 de janeiro foi ignorada na análise do tribunal.

Outros réus também recorreram

Além de Bolsonaro, já haviam apresentado recursos as defesas de Walter Braga Netto, Alexandre Ramagem, Anderson Torres e Almir Garnier. Os embargos dos generais Augusto Heleno e Paulo Sérgio ainda não tinham sido protocolados até o fechamento da reportagem.

As defesas seguem linhas semelhantes, contestando o cerceamento de defesa, a delação de Mauro Cid e o cálculo das penas impostas. Já a defesa de Cid, que teve sua pena fixada em dois anos, decidiu não recorrer, mantendo os benefícios da colaboração premiada.

Próximos passos no STF

Com o recurso em mãos, o ministro Alexandre de Moraes pode levá-lo ao colegiado para julgamento virtual, que normalmente começa às sextas-feiras e dura uma semana. Caso considere necessário, Moraes pode convocar sessão extraordinária. Após a análise de todos os embargos, o cumprimento das penas poderá ser determinado.

Autor

Leia mais

agência bancária em horário de atendimento

TST barra recurso de bancária e mantém perda de função por falta de provas de retaliação

Há 18 horas

Chuck Norris, lutador e lenda dos filmes de ação, morre aos 86

Há 18 horas
Mãos de mulher contam dinheiro à frente de uma placa do INSS

STJ passa a exigir contribuição previdenciária sobre terço de férias após decisão do STF

Há 18 horas
ex-ministro da justiça de Jair Bolsonaro de cabeça baixa à rente de uma bandeira do Brasil

Alexandre de Moraes autoriza Anderson Torres a deixar prisão para tratamento odontológico

Há 19 horas
Plenário do TSE lotado

TSE fixa prazo de afastamento para auditores do TCU que desejam disputar eleições

Há 19 horas
Ministro Carlos Pires Brandão, do STJ

Ministro Carlos Pires Brandão, do STJ, nega HC e mantém preso o presidente da Rioprevidência 

Há 19 horas
Maximum file size: 500 MB