José Carlos Oliveira,. ex-ministro da Previdência no governo Bolsonaro, recebia propina da máfia do INSS

Ex-ministro e deputado são alvos da PF em esquema de fraudes contra aposentados no INSS

Há 4 meses
Atualizado sexta-feira, 14 de novembro de 2025

A Polícia Federal apontou o ex-ministro da Previdência e ex-presidente do INSS no governo Jair Bolsonaro, José Carlos Oliveira, como beneficiário de propinas pagas por uma organização criminosa envolvida no desvio de recursos de aposentados. Já o deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) teria recebido R$ 14,7 milhões para garantir proteção política à entidade responsável pelas fraudes.

Ambos são alvos de investigação da PF em uma operação que expõe um esquema de corrupção envolvendo políticos, empresários e dirigentes de entidades de classe. A Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais do Brasil) está no centro das apurações e é acusada de realizar descontos indevidos em benefícios previdenciários.

Mensagens, codinome e propina ao ex-ministro

De acordo com decisão judicial obtida pela imprensa, José Carlos Oliveira aparece em mensagens de WhatsApp agradecendo pelo recebimento de propinas pagas por empresas de fachada operadas por Cícero Marcelino, o operador financeiro do grupo. A PF afirma que os valores eram registrados em planilhas de prestação de contas apreendidas durante a investigação.

O ex-ministro, que se converteu ao islamismo e passou a se chamar Ahmed Mohamad Oliveira Andrade, era identificado internamente no grupo pelo codinome “Yasser”. Embora a Polícia Federal tenha solicitado sua prisão, a Justiça determinou apenas o uso de tornozeleira eletrônica como medida cautelar.

Pettersen teria recebido R$ 14,7 milhões para blindar fraudes

Outro personagem central do esquema, segundo a PF, é o deputado Euclydes Pettersen, alvo de mandado de busca e apreensão. Ele teria recebido R$ 14,7 milhões em pagamentos fracionados, com a missão de garantir proteção política à Conafer e assegurar a continuidade dos descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS.

A PF descreve o parlamentar como a “pessoa melhor paga na lista de propina”, recebendo os valores mensalmente por meio de empresas controladas por Cícero Marcelino, com intermediação de seu assessor, André Luiz Martins Dias. Os repasses eram feitos por vias sucessivas a empresas e pessoas ligadas a Pettersen.

Segundo as investigações, o deputado atuava para impedir fiscalizações e garantir a permanência do esquema. Além disso, facilitava o acesso do presidente da Conafer, Carlos Roberto Lopes, a autoridades com influência na nomeação de cargos no INSS.

Conafer movimentou quase R$ 800 milhões em transações atípicas

A Conafer, apontada como beneficiária direta do esquema, é investigada por realizar descontos ilegais em benefícios de aposentados e pensionistas. Segundo relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), a entidade realizou transações atípicas que somam R$ 796,8 milhões entre 2022 e 2025.

Integrantes da confederação também foram alvos da operação da PF. A atuação do grupo, segundo a Polícia Federal, consistia na utilização de autorizações falsas ou forjadas para realizar os descontos indevidos.

Stefanutto também é preso na operação

Outro investigado de peso é o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, preso nesta mesma operação. Ele foi indicado ao cargo pelo governo Lula (PT) em julho de 2023 e exonerado em abril de 2025, após as primeiras evidências de fraudes. A defesa de Stefanutto afirmou não ter tido acesso ao teor da decisão judicial e classificou a prisão como arbitrária.

Pettersen e Oliveira se defendem

Em nota, Pettersen disse que já foi alvo de outras duas operações e que em ambas não houve condenações: em uma foi absolvido e, na outra, sequer foi oferecida denúncia. “Reitero que toda operação representa, para alguns, um fim, e para outros, uma libertação”, afirmou. Ele declarou colaborar com as investigações e afirmou confiar na Justiça.

O ex-ministro José Carlos Oliveira ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso.

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