Justiça processa Nikolas Ferreira por dano moral e manda o X retirar postagens dele contra o PT

TJDFT ordena remoção de post de Nikolas Ferreira que chamou PT de “Partido dos Traficantes”

Há 5 meses
Atualizado terça-feira, 4 de novembro de 2025

Por Hylda Cavalcanti

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) determinou à rede social X (antigo Twitter) a remoção de uma postagem feita pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) em que ele se referia ao Partido dos Trabalhadores (PT) como “Partido dos Traficantes”. 

A decisão judicial, que cabe recurso, estabeleceu um prazo de 48 horas para o cumprimento da ordem pela plataforma, sob pena de esta passar a ter responsabilidade civil no caso.

Cinco ações

Esta foi a primeira decisão de cinco ações movidas pelo Partido dos Trabalhadores contra parlamentares, que usaram nominação semelhante ao se referir à sigla.

O grande debate jurídico em relação ao caso está no fato de todos serem parlamentares e, por isso, possuírem imunidade parlamentar. Mas para o juiz que deu a decisão, Wagner Pessoa Vieira, “a proteção legal não é absoluta para discursos proferidos fora do Congresso Nacional”.

Em sua decisão, o magistrado destacou que “as assertivas pronunciadas em ambientes externos ao Legislativo, inclusive virtuais, somente estão imunes quando estritamente vinculadas ao exercício do mandato”.

“Opinião pessoal”

Conforme a avaliação do julgador, o teor da postagem de Nikolas Ferreira não guardava relação com a atividade parlamentar, sendo classificada como “mera opinião pessoal, sem natureza fiscalizatória ou intenção informativa”, o que a torna desprovida da proteção da imunidade.

Para Wagner Vieira, o conteúdo publicado pelo deputado federal na rede X configura “dano moral”, uma vez que atinge diretamente a honra e a imagem do partido e de seus membros.

Dano moral

“A publicação de informações falsas ou desprovidas de autenticidade, imputando aos apelantes [o PT] apoio a grupo terrorista, configura dano moral. A gravidade do dano é acentuada pelo fato de que os apelados são figuras públicas com amplo alcance midiático”, destacou ele, na decisão.

Nas ações que moveu, o PT argumentou que “as publicações representam um uso desonesto e abusivo da imunidade parlamentar e da liberdade de expressão com o objetivo de manipular a opinião pública e macular a honra da sigla”. 

Sem “censura”

Os dirigentes do PT afirmaram que a ação não consiste em qualquer tentativa de censura, apenas busca a responsabilização dos envolvidos. 

A sigla solicitou indenização de R$ 30 mil para cada um dos cinco parlamentares processados por terem, de acordo com o entendimento dos dirigentes petistas, “excedido os limites da imunidade parlamentar, caracterizando abuso da liberdade de expressão e violação dos direitos de personalidade”. 

Nem a plataforma X nem o deputado Nikolas Respeito se pronunciaram sobre a decisão, que cabe recurso.

— Com informações do TJDFT

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