STF retoma julgamento sobre o Marco Civil da Internet com voto de Flávio Dino

Há 8 meses
Atualizado sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Por Karina Zuccoloto

O Supremo Tribunal Federal (STF) retomou namanhã desta terça-feira (11) o julgamento que discute a constitucionalidade do artigo 19 do Marco Civil da Internet, um dos dispositivos mais relevantes da legislação digital brasileira. O artigo estabelece que conteúdos considerados ofensivos ou ilegais só podem ser removidos de redes sociais mediante ordem judicial.

O julgamento é acompanhado de perto por especialistas em direito digital, plataformas tecnológicas, defensores da liberdade de expressão e do combate à desinformação.

Polêmica com votos dispersos

O relator original da ação, ministro Luiz Fux, já votou pela inconstitucionalidade do artigo, defendendo que, em casos que envolvam crimes, as plataformas devem ser responsabilizadas e obrigadas a remover os conteúdos mesmo sem decisão judicial. O ministro Dias Toffoli acompanhou essa linha, mas de forma ainda mais ampla, sinalizando uma flexibilização maior na responsabilização das plataformas.

Na outra ponta, o ministro André Mendonça apresentou voto na semana passada pela total constitucionalidade do dispositivo, defendendo que a exigência de ordem judicial é necessária para evitar abusos e garantir o devido processo legal. Em sua análise, retirar conteúdos da internet sem chancela do Judiciário pode representar risco à liberdade de expressão e abrir espaço para censura.

Já o presidente da Corte, ministro Luís Roberto Barroso, adotou uma posição intermediária: segundo ele, a remoção sem ordem judicial pode ser admitida em casos de crimes claros, como pedofilia ou incitação à violência, desde que haja uma notificação extrajudicial formal à plataforma. No entanto, para crimes contra a honra — como calúnia, difamação ou injúria — Barroso considera indispensável a análise judicial, por envolverem juízo de valor subjetivo.

Sem maioria

Com esses quatro votos, o plenário do STF ainda não tem maioria consolidada, pois nenhum dos ministros votou de maneira idêntica. Cada posição apresenta nuances distintas sobre o grau de responsabilização das plataformas digitais e os limites entre moderação de conteúdo e censura.

Na sessão desta terça, o ministro Flávio Dino apresenta seu voto, o que pode começar a indicar uma tendência de posicionamento da Corte. Ex-ministro da Justiça e defensor de políticas de combate à desinformação, Dino tem sinalizado preocupação com o uso da internet para práticas criminosas, o que poderá influenciar sua análise sobre o tema.

Um marco para o futuro

O julgamento é considerado um marco para o futuro da regulação das redes sociais no Brasil e poderá abrir caminho para mudanças legislativas ou diretrizes mais claras sobre a atuação das plataformas diante de conteúdos ilícitos.

A decisão do STF terá impacto direto na forma como Facebook, X (antigo Twitter), Instagram, TikTok, YouTube e outras plataformas operam no país, especialmente em um contexto de crescente preocupação com fake news, discurso de ódio e ataques à democracia.

Autor

Leia mais

TSE encerra audiências sobre regras eleitorais de 2026

Há 1 hora

Dino dá 24 meses para Congresso regulamentar mineração em terras indígenas e fixa regras provisórias

Há 2 horas

Zanin suspende ação que questiona regras da Anvisa sobre publicidade de alimentos e medicamentos

Há 2 horas
Vista aérea de áraea do derramamento da Barragem do Fundão, em Mariana (MG), em 2015

STJ define quais as ações sobre derramamento da barragem do Fundão devem ser julgadas pelo TRF 6

Há 2 horas

Sonhos de Trem, a paisagem humana

Há 4 horas

Defesa de Filipe Martins pede revogação de prisão preventiva

Há 4 horas
Maximum file size: 500 MB