Ministro Cristiano Zanin Martins, do STF. durante sessão

Zanin  prorroga afastamento de desembargadores do TJMT sob investigação

Há 10 meses
Atualizado sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Pela segunda vez, o ministro Cristiano Zanin Martins, do Supremo Tribunal Federal (STF), prorrogou por mais 180 dias o afastamento de quatro desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) — que tinha sido determinado em outubro do ano passado. 

São eles: os desembargadores Alexandre Aguiar Bastos, Marcos José de Brito Rodrigues, Sideni Soncini Pimentel e Vladimir Abreu da Silva.

Os magistrados estão sendo investigados por suspeita de vendas de decisões no Judiciário daquele estado, num esquema que envolve lobistas, advogados, empresários, além de ex-assessores e servidores afastados do Superior Tribunal de Justiça (STJ). 

Eles seguem proibidos de exercer suas funções e de entrar nas dependências do TJMS, além de não poderem acessar o sistema,  nem ter contato com os servidores da instituição. Mas não estão usando tornozeleiras.

Aguardando a PGR

Na decisão mais recente, o ministro Zanin Martins ressaltou que a Procuradoria Geral da República (PGR) ainda não se manifestou sobre os relatórios da investigação. Por isso, os desembargadores precisam continuar afastados até que a PGR se posicione.

A operação Ultima Ratio (último recurso em latim), tem esse nome em referência ao princípio do Direito segundo o qual a Justiça é o último recurso do poder público para parar a criminalidade. 

Foi deflagrada pela Polícia Federal, por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em outubro de 2024. Dois dias depois, o processo subiu para o STF e passou a ficar sob a responsabilidade do ministro Cristiano Zanin Martins.

A operação investigou os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, falsificação e organização criminosa envolvendo magistrados do estado.

Durante as apurações, foram apreendidas diversas armas na casa de dois desembargadores e encontrados mais de R$ 3 milhões em espécie, no total,  nas residências dos investigados. 

De acordo com o inquérito, entre os crimes cometidos pelo grupo estão os de venda de sentença, vazamento de informações sigilosas do Judiciário, lavagem de dinheiro, extorsão e falsificação. 

Conselheiro do TCE

A decisão do ministro do STF também envolve o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MS), Osmar Jeronymo, e o sobrinho dele, Danillo Moya Jeronymo, que é servidor do TJMS. Assim como os desembargadores, ambos seguem afastados dos cargos.

Quando a operação que investiga o esquema foi deflagrada, em Campo Grande, além do afastamento dos magistrados de suas funções por 180 dias, a Justiça determinou o uso de tornozeleira eletrônica por eles. 

Logo depois, uma nova decisão do STF retirou a exigência de uso de tornozeleiras, mas pediu a todos a entrega de passaportes e prorrogou o afastamento de suas funções no Tribunal. Trata-se da segunda prorrogação do afastamento do grupo.

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