Por Jeffis Carvalho
O cinema brasileiro tem motivos de sobra para celebrar neste início de 2026. Com quatro indicações ao BAFTA, o chamado “Oscar Britânico”, o país reforça sua presença crescente no circuito internacional de premiações e consolida a qualidade de suas produções em diferentes frentes criativas.
“O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, lidera as esperanças brasileiras com duas indicações de peso: Melhor Filme em Língua não Inglesa e Melhor Roteiro Original. O reconhecimento duplo não é pouca coisa – competir na categoria principal de filmes estrangeiros já seria motivo de orgulho, mas ver o roteiro também destacado mostra que a academia britânica reconheceu não apenas a execução técnica, mas a força narrativa da obra. É um sinal de que o filme conseguiu transcender barreiras culturais e tocar os votantes em aspectos fundamentais do cinema.
A indicação de “Apocalipse nos Trópicos”, de Petra Costa, para Melhor Documentário traz à tona a tradição brasileira nesse gênero. O país tem uma rica história de documentários potentes que combinam urgência temática com sofisticação estética, e ver essa tradição reconhecida internacionalmente reafirma a relevância do olhar brasileiro sobre questões contemporâneas. Petra Costa já concorreu ao Oscar em 2020 por “Democracia em Vertigem”
Já Adolpho Veloso concorre Melhor Fotografia por “Sonhos de Trem”, filme americano dirigido por Clint Bentley, representa o reconhecimento técnico puro. A fotografia é uma das categorias mais competitivas e universais do cinema – não depende de idioma ou contexto cultural, mas sim de domínio artístico e técnico. Estar entre os indicados ao lado de grandes produções internacionais coloca Veloso e o cinema brasileiro em patamar de excelência mundial.
Quanto à ausência de Wagner Moura entre os indicados a melhor ator, vale lembrar que isso já era esperado desde a divulgação da lista de pré-selecionados em janeiro. Ainda assim, o conjunto de indicações brasileiras mostra um cinema diversificado, competitivo em múltiplas categorias – da narrativa ficcional ao documentário, do roteiro à fotografia.
A cerimônia do BAFTA em 22 de fevereiro será mais um termômetro importante antes do Oscar, mas, independentemente dos resultados, essas indicações já cumprem papel fundamental: colocam o Brasil no mapa do cinema mundial de forma consistente e multifacetada.


