Lula cabisbaixo e triste com a mão na cabeça

Brasil condena ação militar e reafirma tradição diplomática de defesa da paz

Há 2 dias
Atualizado domingo, 4 de janeiro de 2026

Da Redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou publicamente a ofensiva militar dos Estados Unidos em território venezuelano e classificou a ação como uma violação grave do direito internacional. Em postagem nas redes sociais, Lula afirmou que ataques a países soberanos representam uma “linha inaceitável” e criam um precedente perigoso para a comunidade internacional.

No texto, o presidente evitou citar nominalmente autoridades do país vizinho, reforçando o caráter institucional da manifestação brasileira. A crítica concentrou-se na rejeição ao uso da força como instrumento de política externa e na defesa do multilateralismo como caminho para a resolução de crises internacionais.

A nota repercutiu imediatamente no cenário diplomático regional, ao sinalizar que o Brasil mantém posição firme contra intervenções militares unilaterais, independentemente dos atores envolvidos ou do contexto político interno dos países afetados.

Defesa do multilateralismo e do direito internacional

Na publicação, Lula ressaltou que ações armadas sem respaldo de organismos internacionais enfraquecem normas construídas ao longo de décadas para garantir estabilidade global. Segundo ele, a violação da soberania de um país abre espaço para um cenário de instabilidade, no qual prevalece a lógica da força em detrimento da cooperação entre nações.

O presidente destacou ainda que a condenação ao uso da força é coerente com a postura adotada pelo Brasil em crises recentes em diferentes regiões do mundo. O governo brasileiro tem reiterado, em fóruns multilaterais, a defesa do diálogo, da mediação e da atuação das Nações Unidas como instância legítima para tratar conflitos.

Ao mencionar a necessidade de uma resposta da comunidade internacional, Lula reforçou o papel da ONU como eixo central da governança global e como instrumento para evitar a escalada de confrontos armados.

Tradição diplomática brasileira como “zona de paz”

A posição expressa no post está alinhada à tradição histórica da diplomacia brasileira, marcada pela rejeição a guerras, sanções militares e intervenções externas. Desde o pós-Segunda Guerra Mundial, o Brasil construiu sua política externa com base nos princípios da não intervenção, da autodeterminação dos povos e da solução pacífica de controvérsias.

Essa linha diplomática foi reforçada em diferentes governos e consolidou a imagem do país como interlocutor confiável em negociações internacionais. A América Latina, em especial, sempre foi tratada pelo Brasil como uma região que deve permanecer livre de conflitos armados entre Estados.

No texto divulgado, Lula alertou que ações militares na região resgatam memórias de períodos de forte interferência externa e colocam em risco o compromisso histórico de preservar o continente como uma zona de paz.

Brasil se oferece para o diálogo internacional

Ao final da manifestação, o presidente afirmou que o Brasil segue à disposição para contribuir com iniciativas de diálogo e cooperação internacional. A sinalização indica que o governo pretende atuar diplomaticamente para evitar o agravamento da crise e possíveis impactos humanitários.

A postura reforça o papel do país como defensor de soluções negociadas, mesmo em cenários de elevada tensão geopolítica. Internamente, a declaração também dialoga com a política externa ativa e altiva defendida pelo atual governo.

Com a publicação, o Brasil reafirma sua posição no tabuleiro internacional: condena o uso da força, evita personalizações do conflito e sustenta que a paz e o multilateralismo continuam sendo os únicos caminhos legítimos para a estabilidade global.

Veja a íntegra da postagem do Presidente Lula nas redes sociais:

“Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional.
Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo.
A condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões.
A ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz.
A comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio. O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação.”

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