Chuck Norris, lutador e lenda dos filmes de ação, morre aos 86

Há 1 hora
Atualizado sexta-feira, 20 de março de 2026

Por Jeffis Carvalho

Ele era um lutador de verdade, detentor de faixas pretas em disciplinas como caratê, Tang Soo Do e taekwondo. Era também um cara que treinou com Bruce Lee — e lutou com ele em O Voo do Dragão (1972). Quase sempre interpretava personagens solitários e assim como seu ídolo e herói John Wayne, só recorria à violência quando não havia outra escolha.

Ele era Chuck Norris, um ícone dos filmes de ação da década de 1980, que morreu hoje, em Honolulu, Havaí, aos 86 anos.

Norris se tornou um grande sucesso em filmes com tramas simples, muita adrenalina, lutas e se consolidou como astro admirado em todo mundo. Estrelou produções marcadas por artes marciais, missões militares e personagens implacáveis. Seus filmes mais icônicos incluem O Voo do Dragão (1972), Braddock – O Super Comando (1984), Invasão U.S.A. (1985) e Comando Delta (1986).

Quase texano

O ator nasceu em 10 de março de 1940, em Ryan, Oklahoma, não muito longe do limite com o Texas. Mais velho de três irmãos, foi batizado como Carlos Ray Norris. O pai, Ray, era mecânico e caminhoneiro, e sua mãe, Wilma, fazia bicos para ajudar a família pobre a sobreviver. “Geneticamente falando, sou partes irlandesa e indígena americana”, escreveu ele em sua autobiografia de 2004, “Contra Todas as Probabilidades: Minha História“.

Com muitos problemas com a bebida, o velho Ray quase sempre se ausentava da família, e por longos períodos. Com a falta do pai em casa, logo Norris encontrou seus modelos masculinos em Wayne, Gene Autry e Roy Rogers no cinema.

“Decidi que um dia cresceria e seria como eles”, escreveu ele. “O comportamento deles nos filmes era regido pelo ‘Código do Oeste’ — lealdade, amizade e integridade. Eles eram altruístas e faziam o que era certo, mesmo quando o risco era grande. Anos mais tarde, eu me lembraria desses heróis do faroeste quando desenvolvi o tipo de personagem que queria interpretar como ator.”

Durante seu serviço militar na Base Aérea de Osan, na Coreia do Sul, Chuck Norris iniciou sua trajetória nas artes marciais estudando judô e Tang Soo Do, disciplinas que mais tarde o inspiraram a criar seu próprio estilo, o Chun Kuk Do. Após ser dispensado em 1962 já como faixa preta em Tang Soo Do, conciliou um emprego na Northrop Corp. com aulas de caratê no quintal da mãe, até conseguir um empréstimo para abrir sua primeira escola em Torrance. Paralelamente, construiu uma carreira competitiva de destaque, acumulando 65 vitórias, 5 derrotas e seis campeonatos mundiais de caratê.

De professor de astros a estrela de cinema

Chuck Norris conheceu Bruce Lee em 1967 durante um torneio no Madison Square Garden, e os dois travaram uma amizade que rendeu colaborações no cinema. Quando Lee se mudou para Hong Kong para seguir sua carreira no cinema, eles perderam contato. Mas se reencontrariam para uma luta épica nas entranhas do Coliseu romano em O Voo do Dragão.

Paralelamente, Norris expandiu suas escolas de caratê em Los Angeles e deu aulas particulares para celebridades como Bob Barker, Priscilla Presley e Steve McQueen, sendo este último o que mais o incentivou.

Quando Norris se aposentou das competições em 1974, McQueen o incentivou a seguir a carreira de ator: “Ou você tem uma certa presença que transparece na tela, ou não. Acho que você pode ter. Sugiro fortemente que você tente.”

O resto é história. E de muita ação

Chuck Norris consolidou-se como um dos maiores ícones do cinema de ação dos anos 80, estrelando produções marcadas por artes marciais, missões militares e personagens implacáveis. Seus filmes mais icônicos incluem O Voo do Dragão (1972), Braddock – O Super Comando (1984), Invasão U.S.A. (1985) e Comando Delta (1986).

Ele definiu sua persona de policial durão e solitário em McQuaide, o Lobo Solitário; com Braddock – O Super Comando, focado no resgate de prisioneiros de guerra, obteve seu maior sucesso comercial. Invasão U.S.A., de 1985, se tornou um clássico de ação, no qual ele enfrenta terroristas em solo americano.

No mesmo ano, estrelou Código de Silêncio, aclamado como um de seus melhores dramas policiais. Já em Comando Delta, de 1986, Norris lidera uma unidade de elite em uma missão de resgate de alto risco.

Ele também é amplamente conhecido por estrelar a série de TV Walker, Texas Ranger (1993-2001). Em 2012 aceitou fazer uma participação especial marcante em um elenco de estrelas de ação no filme Os Mercenários.

Chuck Norris vs comunismo

Talvez a maior prova de seu carisma e talento para a ação não está em um de seus vários filmes. Pode ser encontrado no brilhante documentário romeno-britânico Chuck Norris vs Comunismo, escrito e dirigido por Ilinca Călugăreanu.

O filme, de 2015, conta uma história improvável e fascinante: na Romênia dos anos 1980, sob o regime totalitário de Nicolae Ceaușescu, milhares de filmes hollywoodianos foram contrabandeados para o país por um operador clandestino chamado Zamfir e dublados clandestinamente por Irina Nistor, uma tradutora corajosa cuja voz inconfundível cativou a nação e se tornou símbolo de liberdade. Uma rede de distribuição de fitas VHS se espalhou pela Romênia. Famílias e vizinhos se reuniam para assistir a astros de ação como Norris, Van Damme e Stallone.

O documentário argumenta que esse movimento cultural subversivo contribuiu para minar o regime — e o título provocador esconde uma reflexão genuína sobre o poder do cinema como forma de resistência política. Com depoimentos emocionantes e reconstituições bem realizadas, o filme é ao mesmo tempo entretenimento e documento histórico, lembrando que liberdades que parecem triviais podem ser, para outros, um ato de coragem.

Chuck Norris é mesmo um ícone cultural.

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