Da Redação
A Assembleia de Peritos do Irã nomeou Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá Ali Khamenei, como novo líder supremo do país, segundo informação divulgada pela imprensa estatal iraniana neste domingo. A decisão ocorre em meio a uma grave crise de segurança: Ali Khamenei morreu em 2 de março de 2026, durante ataques aéreos conjuntos atribuídos a EUA e Israel.
A escolha de Mojtaba
A votação foi realizada remotamente, devido a preocupações de segurança, depois que o prédio da Assembleia em Qom foi destruído em um ataque israelense, três dias após o falecimento de Ali Khamenei.De acordo com informações da Reuters e da Al Jazeera, o grupo de 88 clérigos alcançou uma decisão com ampla maioria.
Mojtaba Khamenei tem 56 anos e é o segundo filho do aiatolá Ali Khamenei. Ele ocupa o cargo de clérigo de posição intermediária e é conhecido por exercer influência significativa nos bastidores, com fortes ligações com a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC).
Um perfil de bastidores
Mojtaba nunca ocupou um cargo formal de liderança, mas atua nos bastidores do poder há décadas, com forte influência sobre universidades, mídia, política regional e o aparato de segurança do regime. Analistas o descrevem como um perfil ainda mais linha-dura do que o de seu pai, com influência particularmente forte junto aos setores militares e de segurança do Irã, sobretudo a Guarda Revolucionária.
Mojtaba nunca exerceu um cargo político e, pelas leis iranianas, não teria preparo suficiente para se tornar líder do país. Analistas internacionais classificam a eleição como inconstitucional, argumentando que a pressão militar comprometeu a independência da Assembleia de Especialistas.
A reação de Trump
O presidente dos EUA, Donald Trump, que buscava uma “mudança de regime” no Irã com a guerra, havia afirmado que deveria participar da escolha do novo líder supremo. Trump declarou à agência de notícias Axios que não aceitaria a nomeação do filho de Khamenei. Após o anúncio, Trump avisou que o próximo líder do Irã não duraria muito sem sua aprovação.
Israel também reagiu com hostilidade. O Exército israelense utilizou as redes sociais para enviar um alerta afirmando que perseguirá e atacará qualquer pessoa que participe de reuniões destinadas a nomear um sucessor para Khamenei.
Controvérsia religiosa e constitucional
A sucessão de pai para filho é malvista pela hierarquia clerical xiita, especialmente num Irã revolucionário que surgiu após a queda de uma monarquia amplamente repudiada. A definição do novo ocupante do cargo mais alto do Irã seguiu uma diretriz deixada pelo próprio Khamenei: a de que seu substituto deveria ser alguém “odiado pelo inimigo”.
O cenário regional
O regime dos aiatolás iniciou retaliação contra países do Oriente Médio que abrigam bases militares norte-americanas, entre eles Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque. Os mercados globais de petróleo já registram altas históricas devido à insegurança no Estreito de Ormuz.
A formalização do novo líder supremo será um marco decisivo para os rumos da política externa iraniana e para a estabilidade dos mercados globais.
Com informações em CNN Brasil, Revista BRasil, Agência Brasil e Revista Oeste.


