Ministro Flávio Dino, do STF

Flávio Dino determina que presidente da Câmara preste informações sobre rito de aprovação do PL da Adultização

Há 5 meses
Atualizado terça-feira, 26 de agosto de 2025

Por Carolina Villela

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos/PB), preste esclarecimentos sobre o processo de votação que aprovou o pedido de urgência para tramitação do Projeto de Lei nº 2.628/2022, conhecido como “PL da Adultização”. A decisão foi tomada após mandado de segurança impetrado (MS) 40454 pelo deputado federal Marcos Sborowski Pollon (PL), que questiona a legalidade do procedimento adotado na sessão do dia 19 de agosto.

A polêmica gira em torno da aprovação simbólica do regime de urgência para o projeto, que estabelece normas de proteção para crianças e adolescentes em ambientes digitais. O deputado, autor da ação, alega que Hugo Motta desrespeitou o processo legislativo ao não permitir votação nominal, mesmo com pedido formal da oposição, e encerrar arbitrariamente as discussões sobre o tema.

Ministro exige esclarecimentos em dez dias

Flávio Dino considerou “indispensável a prévia apresentação das informações pela autoridade apontada como coatora, a fim de viabilizar exame cauteloso e adequado das alegações deduzidas pelo Impetrante”. O ministro estabeleceu prazo de dez dias para que o presidente da Câmara preste os esclarecimentos necessários sobre o processo de votação.

Além disso, Dino determinou que a Advocacia-Geral da União (AGU) também se manifeste nos autos do mandado de segurança.

A decisão ocorre em meio a debates intensos sobre a regulamentação de plataformas digitais e proteção de menores na internet, tema que ganhou destaque após denúncias do influenciador Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca.

Deputado alega violação ao processo legislativo

Na petição inicial, o deputado Marcos Sborowski Pollon argumenta que a aprovação por votação simbólica representa “flagrante violação à nossa Carta Magna” e constitui “um verdadeiro atropelo do processo legislativo”. O parlamentar pediu a concessão de tutela de urgência para anular a decisão da Mesa Diretora da Câmara que aprovou o Requerimento de Urgência e todos os trâmites legislativos que ocorreram após a decisão.

O impetrante destaca que deputados federais Marcel Van Hattem e Mauricio Marcon solicitaram votação nominal durante a sessão, mas o pedido foi ignorado pelo presidente da Câmara. “Hugo Motta, ARBITRARIAMENTE afirmou que o assunto já estava encerrado e não permitiu discussões”, consta na petição.

A ação também cita críticas da deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC), que classificou a conduta de Hugo Motta como covardia porque “atropelou a urgência e mandou um aprovado simbolicamente com o plenário vazio”.

PL da Adultização gera controvérsia nacional

O Projeto de Lei 2.628/2022 ficou conhecido como “PL da Adultização” ou “PL da Censura” por seus críticos. Eles alegam potencial cerceamento da liberdade de expressão. O projeto estabelece normas específicas para proteção de crianças e adolescentes em ambientes digitais, incluindo redes sociais.

A iniciativa ganhou força após denúncias sobre exploração e exposição precoce de menores na internet, tema que mobilizou a opinião pública nas últimas semanas. O presidente da Câmara teria aproveitado, segundo a acusação, “a efervescência do tema” para acelerar a tramitação do projeto.

Autor

Leia mais

Brasil brilha no BAFTA 2026 com quatro indicações

Há 59 segundos
Governo regulamenta uso de TI em investigações criminais e segurança pública

Líder do governo no Senado indicou Lewandowski para consultoria no Banco Master

Há 16 minutos

STJ homologa acordo que encerra disputa de 34 anos sobre terra indígena em Mato Grosso do Sul

Há 22 minutos
Quem tiver imóvel objeto de leilão deve ficar sempre atento à descrição atualizada

Corretor de imóveis não responde por problemas da construtora, decide STJ

Há 43 minutos

Moraes mantém prisão de Filipe Martins por descumprimento de medida cautelar

Há 16 horas

TST rejeita recurso de empresa que tentou formalizar acordo com trabalhador com problemas mentais

Há 16 horas
Maximum file size: 500 MB