Por Hylda Cavalcanti
Com os olhos vermelhos e um dos primeiros a sair do julgamento após resultado final, o deputado federal licenciado Marcelo Freixo (PSol-RJ), presidente da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), pediu muitas vezes para não dar declarações e que os jornalistas procurassem a família de Marielle Franco para entrevistar, pois o momento exigia que somente eles se pronunciassem a respeito.
Porém, além de dar todo o apoio aos parentes da sua ex-assessora e amiga pessoal, Freixo não escondeu a emoção ao falar com o HJur. “Esse dia de hoje não tem nada de glória. Nada trará Marielle de volta”, pontuou
O parlamentar, entretanto, afirmou que o resultado do julgamento mostra que ainda se faz justiça no país, quando se sabe que um chefe da polícia, que contribui para obstruir investigações sobre um crime de extrema relevância, é condenado criminalmente e ainda terá a perda da função.
Lição que fica
“Fica para nós, também, a lição de que não podemos desistir de lutar pela Justiça e devemos lutar até o final, pois vimos hoje que até mesmo pessoas poderosas, que ocupavam cadeiras em instituições como o Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, outro era deputado federal, podem sim vir a ser condenados e pagar pelos seus crimes”, afirmou.
Freixo destacou ainda a importância de a Polícia Federal ter entrado no caso. O que, segundo ele, foi de fundamental importância para o andamento das investigações.
O julgamento foi proferido da seguinte forma: Domingos Brazão, conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ) foi condenado por organização criminosa armada, duplo homicídio qualificado e tentativa de homicídio qualificado.
Francisco Brazão (Chiquinho), ex-deputado federal, foi condenado por organização criminosa armada, duplo homicídio qualificado e tentativa de homicídio qualificado. Ronald Paulo de Alves Pereira, ex-major da Polícia Militar, foi condenado por duplo homicídio qualificado e tentativa de homicídio qualificado.
Outras condenações e indenizações
Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, foi absolvido dos homicídios, mas condenado por obstrução de Justiça e corrupção passiva majorada. Enquanto Robson Calixto Fonseca, o Peixe, ex-assessor de Domingos Brazão, foi condenado organização criminosa armada.
No julgamento também foram definidas indenizações no valor total de R$ 7 milhões. Sendo R$ 1 milhão em favor de Fernanda Gonçalves Chaves, sobrevivente do ataque, e da filha dela. Os ministros estabeleceram R$ 3 milhões a serem pagos aos parentes de Marielle, sendo R$ 750 mil ao pai, R$ 750 mil à mãe, R$ 750 mil à filha e R$ 750 mil à viúva da vereadora e ainda, R$ 3 milhões para a vúva e filho do motorista Anderson Gomes, na proporção de 50% para cada.


