Lula pede solução de dois Estados e chama situação em Gaza de genocídio na ONU

Há 5 meses
Atualizado terça-feira, 23 de setembro de 2025

Da Redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou a tribuna da ONU para defender que a única saída possível para a paz no Oriente Médio é a criação de um Estado palestino viável, convivendo ao lado de Israel. Segundo ele, a solução deve respeitar as fronteiras de 1967, com a Faixa de Gaza, a Cisjordânia e Jerusalém Oriental como capital palestina.

Lula afirmou que “tanto Israel quanto a Palestina têm o direito de existir”, ressaltando que negar esse princípio básico é perpetuar a violência e o sofrimento. Para o presidente, a comunidade internacional precisa atuar com firmeza para transformar em realidade o que há décadas está apenas no papel.

A fala foi recebida como uma reafirmação histórica da posição do Brasil em favor da autodeterminação dos povos, mas com ênfase inédita na urgência da questão. Lula lembrou que não se trata apenas de diplomacia, mas de sobrevivência de milhões de civis.

Genocídio em Gaza e crítica à resposta desproporcional

Um dos trechos mais duros do discurso foi quando Lula afirmou que “não há palavra mais apropriada para descrever o que está ocorrendo em Gaza do que genocídio”. Ele citou relatórios das Nações Unidas que apontam destruição massiva, fome e milhares de vítimas, sobretudo crianças.

O presidente brasileiro condenou atos terroristas do Hamas, mas advertiu que o direito de defesa não pode se converter em licença para massacres indiscriminados. “A luta contra o terrorismo não autoriza o assassinato de civis, a destruição de lares e o uso da fome como arma”, disse.

A referência ao genocídio deu forte impacto à fala de Lula, que se somou a uma corrente internacional crescente de críticas à condução das operações militares em Gaza. Ele defendeu que a comunidade internacional não pode permanecer indiferente diante da tragédia.

Crítica ao Conselho de Segurança da ONU

Em outro momento, Lula criticou de forma direta o uso recorrente do poder de veto no Conselho de Segurança da ONU. Para ele, esse mecanismo tem impedido que a organização cumpra sua missão essencial de prevenir e punir atrocidades. “O veto tem sabotado a própria razão de ser da ONU”, afirmou.

O presidente ressaltou que, ao bloquear resoluções de cessar-fogo e de proteção a civis, o Conselho tem enfraquecido a credibilidade do sistema multilateral. Para Lula, reformar essa estrutura é indispensável para que a ONU volte a ser relevante em crises humanitárias.

A menção à reforma ecoa antiga demanda da diplomacia brasileira, que busca um Conselho mais representativo e menos refém de interesses de grandes potências. Lula aproveitou o palco internacional para reiterar que a mudança é urgente e ligada à paz no Oriente Médio.

Autodeterminação e papel do multilateralismo

O discurso também enfatizou a necessidade de garantir à Palestina o direito de autodeterminação e de reconhecimento pleno como Estado soberano. Lula sugeriu a criação de um organismo internacional inspirado no Comitê contra o Apartheid, que ajudou a desmontar o regime sul-africano.

Segundo ele, apenas com mecanismos de apoio político e econômico será possível viabilizar uma solução pacífica e justa. O Brasil, afirmou, está disposto a contribuir para iniciativas concretas que fortaleçam a legitimidade palestina e assegurem sua presença nas instâncias multilaterais.

Lula concluiu destacando que somente o esforço coletivo, baseado no diálogo, no respeito às normas internacionais e no fortalecimento da ONU, poderá evitar abusos e abrir caminho para a paz. “O mundo não pode ser cúmplice da violência pela omissão”, resumiu.

Veja aqui a íntegra do discurso do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva

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