Por Hylda Cavalcanti
O resultado do julgamento dos mandantes do assasinato de Marielle Franco e do motorista dela, Anderson Gomes, trouxeram grande alento para os familiares dos dois, mas também muito impacto emocional entre todos eles e pessoas próximas. Primeiro foi a filha, Luyara Santos, que se sentiu mal mais ou menos no meio da sessão. Depois foi a mãe, dona Marinete Santos. Por fim, o pai de Marielle, senhor Antônio Francisco da Silva Neto, que precisou ser atendido assim que foi pronunciada a pena dos condenados.
Dona Marinete disse que esta quarta-feira (25/02) é um dia histórico e que mais um dever foi cumprido por parte da sua família, mas que o trabalho não acaba hoje; “É um alívio saber que a pergunta que durante oito anos ecoou no mundo, que foi ‘quem matou Marielle’ agora pode ser respondida e isso deixa nosso coração um pouco mais acalentado. Mas é importante que saibam quem foi minha filha e o motivo pelo qual isso tudo aconteceu “, frisou.
Democracia plena
Dona Marinete fez questão de destacar, também, que se não existisse uma democracia plena no Brasil, os familiares de Marielle e todos os que esperavam uma condenação para os culpados pela sua morte não teriam chegado até este dia. “O
julgamento foi um fato relevante para o Brasil e para o mundo por tudo isso”, destacou.
Emocionado e ainda se recuperando do mal estar, seu Antônio, pai de Marielle, apenas agradeceu à imprensa e aos parlamentares que ajudaram a denunciar o caso. “Vivemos oito anos de angústia para chegar até aqui”, disse.
Luyara, filha de Marielle, afirmou que foi um dia difícil e que gostaria de fazer uma homenagem à coragem e bravura da sua família. “Seguimos com nosso trabalho pelos direitos humanos, pela justiça e continuaremos a seguir sempre, com a coragem que minha mãe sempre teve e que me ensinou”, enfatizou.
Deboche de parte da sociedade
A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, irmã de Marielle e a primeira pessoa a chegar no local do crime no dia do ataque, em 2018, também não conteve as lágrimas. Num misto de alento e também de muita indignação, ela disse que além de tudo o que representou a revelação dos verdadeiros mandantes e do julgamento, o dia marca também, um recado para uma parcela da sociedade que debochou da sua irmã.
“Muita gente considerou Marielle uma pessoa descartável, fez deboche da sua morte. A violência política, de gênero e de raça neste país precisa ser parada e hoje o STF deu um exemplo disso. Infelizmente, teremos de seguir na luta para avançarmos muito mais e impedir que outros casos voltem a se repetir, porque são observados constantemente”, acentuou.
Agatha Arnaus, mulher de Anderson Gomes, afirmou que ouviu muito na vida o chavão de que “para que o mau prevaleça basta que as pessoas não façam nada”. “Hoje vimos o contrário, um grupo de pessoas fazendo o bem. Nada será como era, mas conseguimos muita coisa com esse julgamento, inclusive para reforçar a nossa luta que continua”, enfatizou.


