Haddad defende que Banco Central assuma fiscalização dos fundos de investimento
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu, em entrevista ao UOL News, a transferência da fiscalização dos fundos de investimento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para o Banco Central (BC). Segundo ele, uma proposta nesse sentido já foi apresentada e está em debate dentro do governo federal. A fala ocorre em meio a investigações sobre fraudes envolvendo fundos, como no caso Banco Master, e reforça a necessidade de ampliar o chamado perímetro regulatório do BC.
Caso Banco Master acende alerta sobre regulação
A sugestão de Haddad vem após a deflagração da segunda fase da operação Compliance Zero, que revelou fraudes praticadas com uso de fundos de investimento ligados à Reag Investimentos. Na visão do ministro, esse episódio demonstra a urgência de uma regulação mais robusta, centralizada no Banco Central — como ocorre em outros países desenvolvidos.
Atualmente, o BC regula e fiscaliza o sistema financeiro, enquanto a CVM é responsável pelo mercado de capitais. Para Haddad, essa divisão é inadequada diante da intersecção crescente entre fundos e finanças públicas.
Proposta prevê ampliação do perímetro regulatório
A ideia apresentada por Haddad é que o BC assuma o controle integral da fiscalização dos fundos. Ele argumenta que há impactos diretos desses ativos sobre a contabilidade pública, como no caso das operações compromissadas. “Esse fato deveria ser superado com uma nova regulação”, afirmou o ministro.
Ainda segundo ele, a mudança traria mais clareza e eficiência à supervisão do setor, concentrando as atribuições em um único órgão, como ocorre nos bancos centrais de economias avançadas.
Debate interno no governo já começou
Haddad fez questão de destacar que se trata de uma opinião pessoal, mas confirmou que o tema está sendo discutido com figuras importantes do governo, como o presidente do BC, Gabriel Galípolo, e o advogado-geral da União, Jorge Messias. “Entendo que seria uma resposta muito boa para aumentar a fiscalização desses fundos pelo Banco Central”, disse.
O ministro defendeu que a centralização da supervisão daria mais solidez ao sistema e melhoraria a capacidade do Estado de reagir a fraudes e abusos no mercado financeiro.
Defesa da atuação de Galípolo no Banco Central
Durante a entrevista, Haddad também saiu em defesa de Galípolo, que enfrentou críticas em razão da crise no Banco Master. Ele afirmou que os problemas foram herdados da gestão anterior e que o atual presidente do BC tem conduzido com responsabilidade a resolução das questões.
“Galípolo descascou o abacaxi com competência”, declarou, afirmando que o economista seguiria sendo sua escolha para os cargos que ocupou até aqui.
Política fiscal e combate à desigualdade
Haddad reiterou que a política fiscal do governo tem sido eficaz, e que o aumento da dívida pública está mais relacionado aos juros reais do que ao déficit primário. Ele afirmou que a atual gestão reduziu esse déficit em 70% desde o início do mandato.
O ministro também reforçou o compromisso com a taxação dos mais ricos, destacando medidas recentes como a tributação de offshores, fundos exclusivos e apostas. Ele comemorou o apelido de “Taxad” e disse que se orgulha de cobrar mais de quem sempre pagou menos.


