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Moraes nega visita de assessor de Trump a Bolsonaro após alerta do Itamaraty

Há 7 meses
Atualizado sexta-feira, 13 de março de 2026

Da Redação

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes recuou de uma decisão anterior e barrou a visita de Darren Beattie — assessor sênior do presidente americano Donald Trump para assuntos relacionados ao Brasil — ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso desde janeiro de 2026.

A reviravolta ocorreu depois que o Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, alertou que o encontro poderia representar uma interferência indevida nos assuntos internos do país, especialmente por se tratar de um ano eleitoral.

Como surgiu o pedido de visita

A defesa de Bolsonaro formalizou o pedido de visita em 10 de março, solicitando que Beattie pudesse encontrá-lo no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, o Papudinha, onde o ex-presidente cumpre pena de 27 anos por envolvimento na tentativa de golpe de 2022.

Como relator do processo que levou Bolsonaro à prisão, Moraes tem a palavra final sobre quem pode visitar o ex-presidente. Em um primeiro momento, o ministro chegou a autorizar o encontro para o dia 18 de março, mas em data diferente da pedida pelos advogados.

A defesa recorreu, explicando que Beattie estaria em São Paulo naquele dia para participar de um evento sobre terras raras e minerais críticos, e pediu que a visita fosse antecipada para a segunda-feira, dia 17.

O que disse o Itamaraty

Antes de tomar a decisão final, Moraes consultou o Ministério das Relações Exteriores sobre a agenda diplomática do americano no Brasil. A resposta foi determinante para a mudança de posição.

Em documento assinado pelo ministro Mauro Vieira, o Itamaraty informou que, no contato feito para a obtenção do visto, não havia qualquer menção ao interesse de Beattie em realizar visitas fora dos objetivos oficialmente declarados. O visto, portanto, foi concedido com base apenas na justificativa apresentada pelo Departamento de Estado americano.

O chanceler foi além e levantou uma preocupação política relevante: a visita de um funcionário de governo estrangeiro a um ex-presidente preso, em pleno ano eleitoral, poderia ser interpretada como ingerência nos assuntos internos brasileiros.

Por que Moraes voltou atrás

Com base na manifestação do Itamaraty, Moraes fundamentou a nova decisão afirmando que a visita solicitada pela defesa de Bolsonaro não se enquadra no contexto diplomático que motivou a concessão do visto a Beattie e que tampouco foi comunicada previamente às autoridades diplomáticas brasileiras.

O ministro do STF ainda sinalizou que a situação poderia até levar à reanálise do visto já concedido ao assessor americano — o que, na prática, colocaria em risco a própria estada de Beattie no Brasil.

Quem é Darren Beattie

Beattie é uma figura conhecida nos círculos da direita americana e foi nomeado por Trump para o cargo de assessor sênior para a política em relação ao Brasil. Ele é considerado crítico do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e já protagonizou polêmicas anteriores envolvendo o próprio ministro Alexandre de Moraes.

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