Ação conjunta ocorre em meio à crescente pressão dos EUA para controlar a ilha rica em recursos e de posição estratégica no Ártico
O governo da Alemanha anunciou nesta quarta-feira (14) o envio de 13 soldados à Groenlândia, em uma missão de reconhecimento militar conjunta com Suécia e Noruega. A operação, organizada a pedido da Dinamarca, começa amanhã e seguirá até sábado, com o objetivo de avaliar possíveis contribuições militares europeias para reforçar a segurança da região.
O anúncio ocorre em um momento de tensão diplomática crescente, provocado pelas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que voltou a defender o controle da Groenlândia por Washington. O republicano argumenta que a posse da ilha é fundamental para a segurança nacional americana diante de avanços estratégicos da China e da Rússia no Ártico.
Missão busca avaliar presença militar europeia
De acordo com o Ministério da Defesa alemão, a missão prevê a realização de ações de reconhecimento na Groenlândia. Um dos focos é analisar a viabilidade de estabelecer ou fortalecer capacidades de vigilância marítima, além de outras formas de cooperação militar europeia na região.
“A missão foi organizada a pedido do governo dinamarquês e visa contribuir para a estabilidade e proteção de uma área cada vez mais sensível do ponto de vista geopolítico”, informou a pasta em nota oficial.
A Groenlândia é um território autônomo vinculado ao Reino da Dinamarca, com uma população de cerca de 56 mil habitantes. Sua posição no extremo norte do Atlântico e sua proximidade com o Polo Norte tornam a ilha um ponto estratégico de interesse global.
Pressão dos EUA preocupa países europeus
Nas últimas semanas, Trump tem reiterado publicamente que a Groenlândia deve ser controlada pelos Estados Unidos. Ele argumenta que o território precisa estar sob domínio americano para evitar que potências rivais, como Rússia ou China, ampliem sua influência militar na região do Ártico.
As declarações têm gerado desconforto entre aliados europeus, especialmente Dinamarca e Noruega, que consideram as falas uma ameaça à soberania da ilha. O envio de tropas agora visa reforçar a presença europeia e sinalizar a disposição da União Europeia e da OTAN de atuar na defesa dos interesses da região.
A presença militar dos EUA na Groenlândia já é significativa. A base aérea de Thule, no norte da ilha, abriga sistemas de radar de alerta precoce e defesa antimísseis. Ainda assim, os recentes movimentos políticos e diplomáticos de Washington indicam um desejo de ampliar o controle americano sobre todo o território.
Europa responde com articulação estratégica
Embora a missão iniciada amanhã tenha caráter técnico e de curto prazo, fontes diplomáticas europeias indicam que ela faz parte de um esforço mais amplo para construir uma estratégia conjunta para o Ártico. Além de Alemanha, Noruega e Suécia, outros países da região vêm sendo consultados sobre futuras colaborações.
A Dinamarca, como país responsável pelo território da Groenlândia, tem articulado esse movimento e defendido o fortalecimento da presença europeia na ilha como forma de conter possíveis avanços unilaterais por parte dos Estados Unidos.
Ainda não há previsão para o envio de contingentes permanentes, mas o resultado da missão desta semana pode influenciar futuras decisões sobre segurança e defesa na região.


