Banco Central do Brasil

Banco Central reduz juros pela primeira vez em dois anos; taxa recua para 14,75% ao ano

Há 23 segundos
Atualizado quinta-feira, 19 de março de 2026

Da Redação

O Banco Central cortou a taxa Selic de 15% para 14,75% ao ano —

Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, nesta quarta-feira (18), reduzir os juros básicos do país pela primeira vez desde maio de 2024. A decisão era aguardada pelo mercado e acontece mesmo em meio às tensões geradas pela guerra no Oriente Médio.

Ainda é uma redução pequena, mas cheia de significado no atual momento da economia brasileira.

Primeiro recuo em quase dois anos

Desde junho de 2025, a taxa estava travada em 15% ao ano — o nível mais alto em quase uma década. Agora, com o corte de 0,25 ponto percentual, ela recua para 14,75%.

Com a  Selic é a taxa de juros básica da economia brasileira, ela funciona como um termômetro: quando sobe, o crédito fica mais caro e as pessoas consomem menos, o que ajuda a segurar a inflação. Quando cai, o dinheiro fica mais barato para empresas e consumidores — o que estimula compras, investimentos e a geração de empregos.

Por que o BC resolveu cortar agora?

A principal razão é o comportamento da inflação. Em fevereiro, o IPCA — índice oficial que mede a inflação no Brasil — ficou em 3,81% nos últimos 12 meses, abaixo do teto de 4,5% estabelecido pelo governo. Foi a primeira vez desde maio de 2024 que o indicador ficou abaixo de 4%.

Com os preços mais comportados, o Banco Central se sentiu seguro para dar o primeiro passo na direção de juros mais baixos. Mas deixou um recado claro: se a guerra no Oriente Médio piorar e pressionar os preços globais, o ciclo de cortes pode ser interrompido.

O que muda na prática?

Um corte de 0,25 ponto percentual pode parecer pouco — e de fato, sozinho, não transforma o dia a dia de imediato. Mas ele é o primeiro sinal de uma tendência que, se mantida, pode baratear o crédito, reduzir as parcelas de financiamentos e estimular a economia ao longo do ano.

O mercado financeiro projeta crescimento de 1,83% do PIB em 2026. Já o próprio Banco Central estima expansão um pouco menor, de 1,6%. Em ambos os cenários, juros mais baixos são um ingrediente importante para sustentar esse crescimento.

E a inflação, está sob controle?

Mais ou menos. O IPCA está dentro da meta, mas as projeções para o fim do ano geraram algum desconforto. Antes do início da guerra no Oriente Médio, o mercado estimava inflação de 3,95% para 2026. Depois do conflito, essa estimativa subiu para 4,1% — ainda dentro do limite, mas com menos folga.

A meta oficial é de 3%, com tolerância de até 1,5 ponto para cima ou para baixo. Ou seja, qualquer resultado entre 1,5% e 4,5% é considerado dentro do intervalo aceitável. O sistema passou a ser avaliado mês a mês desde janeiro deste ano, e não mais apenas pelo fechamento de dezembro.

O que esperar dos próximos meses?

O Banco Central foi cauteloso no comunicado e não sinalizou um ritmo acelerado de cortes. A instituição quer acompanhar de perto os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços do petróleo e do dólar — dois fatores que influenciam diretamente a inflação no Brasil.

No fim de março, o BC divulgará um novo relatório de política monetária, com projeções atualizadas para a inflação e o crescimento. Esse documento será um guia importante para entender até onde e com que velocidade os juros podem continuar caindo.

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