Da Redação
O Banco Central (BC) decretou nesta terça-feira (18) a liquidação extrajudicial do Banco Master, encerrando as atividades da instituição financeira em meio a uma grave crise que se aprofundou nas últimas semanas. A decisão, assinada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, ocorreu menos de 24 horas após o Grupo Fictor manifestar interesse na compra do banco.
A medida põe fim à possibilidade de qualquer acordo de venda e também atinge a corretora de câmbio ligada à instituição, que igualmente entrará em processo de liquidação judicial.
Segundo fontes próximas ao caso, a liquidação representa o colapso definitivo das tentativas de salvamento da instituição.
Operação Compliance Zero
Paralelamente à decisão do BC, a Polícia Federal deflagrou nesta manhã a Operação Compliance Zero, que resultou na prisão de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, em sua residência na capital paulista. A defesa do empresário não foi localizada para comentar o caso.
A operação mobilizou agentes em cinco estados brasileiros, cumprindo sete mandados de prisão e 25 de busca e apreensão no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e no Distrito Federal. O objetivo é desarticular um esquema de emissão de títulos de crédito fraudulentos por instituições do Sistema Financeiro Nacional.
As Investigações
As apurações da Polícia Federal começaram em 2024, após requisição do Ministério Público Federal, para investigar a suposta fabricação de carteiras de crédito sem lastro por uma instituição financeira. Segundo as investigações, esses títulos foram vendidos a outro banco e, após fiscalização do Banco Central, substituídos por outros ativos sem a devida avaliação técnica.
Os investigados respondem por gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa, entre outros crimes que podem resultar em penas significativas.
Linha do Tempo da Crise
2024
- Início das investigações: O Ministério Público Federal requisita à Polícia Federal a abertura de inquérito para apurar possível fabricação de carteiras de crédito insubsistentes
- Fiscalização do BC: Banco Central identifica irregularidades em títulos que foram vendidos a outras instituições
2025
Março
- BRB manifesta interesse: O BRB Banco de Brasília, instituição financeira pública do Distrito Federal, demonstra interesse em adquirir o Banco Master, iniciando negociações preliminares.
- Compra: Em 28 de março, o BRB anunciou a compra de uma fatia do Banco Master por cerca de R$ 2 bilhões. A aquisição seria de 49% das ações ordinárias do Master, com direito a voto, e de 100% das ações preferenciais do banco, que possibilitam o recebimento de proventos.
- Veto: Em setembro, o Banco Central vetou a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), após mais de cinco meses analisando a operação. A decisão é mais um marco do imbróglio envolvendo o Master, banco que nos últimos anos ficou conhecido por oferecer Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com alta rentabilidade, mas que recentemente tem sofrido desconfiança em torno da sua capacidade de solvência.
Segunda-feira, 17 de novembro
- Grupo Fictor manifesta interesse em adquirir o Banco Master, acenando com uma possível solução para a crise após a frustração do negócio com o BRB
Terça-feira, 18 de novembro
- Manhã: Polícia Federal deflagra Operação Compliance Zero e prende Daniel Vorcaro em São Paulo
- Manhã: Banco Central decreta a liquidação extrajudicial do Banco Master e de sua corretora de câmbio, encerrando definitivamente as negociações com potenciais compradores
Impactos e Desdobramentos
A liquidação extrajudicial representa uma das medidas mais severas que o Banco Central pode tomar contra uma instituição financeira. O processo implica o encerramento das atividades do banco, a venda de ativos para pagamento de credores e a proteção dos depositantes conforme as regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
A tentativa frustrada de venda para o BRB e, posteriormente, para o Grupo Fictor, indica que as irregularidades na instituição eram mais graves do que inicialmente aparentavam. A rápida sequência de eventos – da manifestação de interesse do Fictor à liquidação em menos de 24 horas – sugere que o Banco Central tinha conhecimento da gravidade da situação e aguardava o momento adequado para intervir.
A decisão de Galípolo demonstra a postura firme da autoridade monetária diante de irregularidades no sistema financeiro. A medida também levanta questões sobre a eficácia dos mecanismos de supervisão e a necessidade de maior rigor na fiscalização de instituições financeiras.
Para os clientes do Banco Master, o FGC garante depósitos até o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira. Valores acima desse patamar dependem da liquidação dos ativos do banco.
A operação da Polícia Federal ainda está em andamento, e novos desdobramentos são esperados nos próximos dias, à medida que os documentos apreendidos forem analisados e outros envolvidos no suposto esquema fraudulento forem identificados.


