Barroso nega troca de relator em inquérito que investiga vazamento de mensagens

Há 1 ano
Atualizado sexta-feira, 15 de agosto de 2025

O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Luís Roberto Barroso, negou nesta segunda-feira (26) um pedido para que o ministro Alexandre de Moraes fosse afastado da relatoria do inquérito para apurar o vazamento de mensagens entre Tagliaferro e um juiz auxiliar do ministro. Na decisão, Barroso entendeu que não foram apresentadas de forma clara e objetiva situações que caracterizem o impedimento de Moraes.

O pedido foi feito pela defesa de Eduardo Tagliaferro, ex-assessor de Alexandre de Moraes no TSE, após o ministro transformar o inquérito que apura o vazamento de mensagens em petição. No entendimento do advogado de Tagliaferro, essa alteração garantiria mais poderes ao ministro para tomar decisões sem a necessidade de submetê-las ao plenário do STF.

Na arguição, a defesa requereu o arquivamento da investigação ou que Moraes fosse impedido de relatar o inquérito. 

Segundo diálogos revelados pelo jornal Folha de S.Paulo, Moraes teria usado a estrutura do TSE, enquanto era presidente do Tribunal, para alimentar investigações do STF.

Na visão do advogado Eduardo Kuntz,  que defende Tagliaferro, o ministro não poderia ter aberto de ofício (sem ser provocado) a investigação sobre o vazamento das mensagens, já que a competência para abrir novos inquéritos é do presidente do STF. Ele questiona ainda o fato de Moraes relatar um inquérito que seria de interesse do ministro.

” Sendo interessado no feito, fica, por conseguinte, impedido de atuar em razão da inadmissível ausência de imparcialidade”, apontou. 

Na quinta-feira (22/08), Tagliaferro foi ouvido pela Polícia Federal (PF) e teve o celular apreendido por determinação de Moraes. Ele negou envolvimento com os vazamentos.

A diferença entre inquérito e petição

Segundo juristas ouvidos pelo HJur, o inquérito é instaurado quando há elementos suficientes para iniciar uma investigação. A finalidade é elucidar um suposto fato criminoso. De acordo com o regimento interno do STF, os inquéritos podem ser policiais ou administrativos e, nesse âmbito, decisões podem ser tomadas sem a necessidade de aprovação prévia do colegiado do Supremo.

Já a petição é um pedido de investigação preliminar, sem alvos específicos. Mas, para ser aberta, precisa ser provocada por algum ente externo. Ou seja, o Supremo precisa ser acionado. Há casos em que a petição já habilita o relator para tomar decisões monocráticas.

Reclamação no CNJ

Em outra frente, o senador Rogério Marinho (PL/RN) protocolou no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) uma reclamação contra os ex-assistentes do ministro Alexandre de Moraes citados nas mensagens vazadas.

O documento menciona que Airton Vieira, juiz auxiliar de Alexandre de Moraes; e Marco Antônio Vargas, que era juiz auxiliar da presidência do TSE, vem atuando “em desvio de finalidade e com abuso de poder ao realizarem investigações sem respeitar procedimentos básicos e garantias fundamentais para embasar decisões judiciais de prisão e restritivas de direitos contra alvos previamente escolhidos”.

O pedido foi apresentado na quinta-feira (22/08), depois que o então corregedor nacional de Justiça, ministro Luis Felipe Salomão, arquivou outro procedimento semelhante  protocolado pelo partido Novo. A reclamação apresentada pelo senador Marinho considera que houve um fato novo, mencionando trechos das mensagens que não foram citados no pedido anterior que foi arquivado.

Autor

Leia mais

Sede do TRF 3, onde o colegiado escolheu novo desembargador por antiguidade

Colegiado do TRF 3 escolhe novo desembargador, por critério de antiguidade, e define lista tríplice para outra vaga existente na Corte

Há 2 horas

AGU evita condenação milionária em disputa sobre imóveis no Parque do Caparaó

Há 2 horas

Mendonça absolve homem que furtou vinho em supermercado de MG

Há 2 horas

O valor sentimental: da arte e da vida

Há 3 horas
A foto mostra o ministro André Mendonça, em sessão do STF. Ele é um homem branco, com cabelos grisalhos e usa óculos.

Mendonça convoca PF para reunião sobre Banco Master menos de 24 horas após assumir relatoria

Há 3 horas
Cão Orelha, agredido sem causa aparente em Florianópolis (SC), terá corpo exumado

A pedido do MPSC, Justiça autoriza e corpo do cão Orelha é exumado para aprofundar investigações sobre o caso

Há 6 horas
Maximum file size: 500 MB