Da Redação
No próximo dia 20 de janeiro, o chamado “caso ET de Varginha” completa 30 anos como um dos episódios mais emblemáticos do imaginário popular brasileiro. Três décadas após os relatos que ganharam repercussão nacional, o Superior Tribunal Militar reforça a versão oficial dos fatos ao manter aberto para consulta pública um Inquérito Policial Militar (IPM) que afastou qualquer evidência de fenômeno extraterrestre.
O processo, instaurado em 1997 e hoje totalmente digitalizado, foi disponibilizado pelo STM com caráter histórico e científico. A iniciativa permite que o caso seja analisado como objeto de pesquisa por estudiosos, jornalistas e cidadãos interessados em confrontar narrativas populares com documentos oficiais.
Com cerca de 600 páginas, o IPM é considerado emblemático por reunir depoimentos, registros operacionais e fotografias que ajudaram a encerrar, no âmbito institucional, um dos maiores mitos ufológicos do país.
Um inquérito aberto à sociedade
O IPM foi instaurado pelo comando da Escola de Sargentos do Exército após a circulação de boatos sobre o suposto envolvimento de militares na captura e no transporte de uma criatura em Varginha, no sul de Minas Gerais. À época, livros e reportagens levantaram suspeitas sobre operações sigilosas das Forças Armadas.
A investigação teve como foco verificar a existência de deslocamentos de viaturas, ordens militares ou qualquer atuação compatível com os relatos divulgados. Todos os militares citados foram formalmente ouvidos, assim como motoristas e superiores hierárquicos.
Segundo o STM, a abertura integral do acervo 30 anos depois atende ao interesse público e contribui para a preservação da memória institucional, permitindo que o episódio seja estudado à luz de provas documentais.
Depoimentos e a hipótese de engano
De acordo com o inquérito, a origem do caso remonta a um dia de chuva intensa, com registro inclusive de queda de granizo. Três jovens relataram ter visto uma suposta criatura agachada próxima a um muro, em um bairro da cidade.
Os depoimentos colhidos apontam para uma interpretação equivocada da cena. Um militar do Corpo de Bombeiros de Varginha afirmou que as características descritas eram compatíveis com um homem com transtornos mentais, conhecido por circular pela cidade e por permanecer frequentemente agachado.
Fotografias anexadas ao IPM reforçam essa versão. Molhado pela chuva e abrigado junto ao muro, o homem teria sido confundido com um ser estranho, dando origem à narrativa que se espalhou rapidamente.
Viaturas, livros e versões confrontadas
O inquérito também analisou versões popularizadas por dois ufólogos responsáveis por uma obra que projetou o caso nacionalmente. A partir do livro, surgiram relatos sobre o uso de viaturas do Exército para o transporte da suposta criatura.
O IPM detalha horários de saída e retorno, itinerários e escalas de serviço, demonstrando que não houve deslocamentos compatíveis com as histórias divulgadas. Motoristas e oficiais negaram qualquer participação em ações fora da rotina militar.
Ao final, a investigação concluiu que não existiram operações do Exército relacionadas ao episódio e que o caso foi alimentado por boatos e erros de percepção.
Trinta anos depois, o STM reafirma que a disponibilização do IPM transforma o “caso ET de Varginha” em fonte de pesquisa histórica, encerrando o tema sob o ponto de vista institucional e oferecendo à sociedade acesso direto às conclusões oficiais.


