Conflito no Irã eleva petróleo em mais de 10% e derruba bolsas globais

Há 10 minutos
Atualizado segunda-feira, 2 de março de 2026

A escalada militar entre Estados Unidos, Israel e Irã, iniciada no sábado (28), provocou forte turbulência nos mercados globais neste domingo (1º). O petróleo chegou a subir 13%, bolsas asiáticas recuaram e investidores migraram para ativos considerados mais seguros, como ouro e dólar. O fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica para 20% do petróleo transportado por mar, intensificou as tensões e elevou o temor de impactos duradouros sobre energia e inflação.

Petróleo dispara com temor sobre oferta

O barril do Brent, referência internacional, atingiu US$ 82 após avançar até 13% no auge das negociações. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, subiu 7,1%, cotado a US$ 71,77.

O principal fator por trás da disparada foi o fechamento do Estreito de Ormuz, corredor marítimo vital para o escoamento da produção do Golfo Pérsico. Cerca de um quinto de todo o petróleo transportado por mar passa pela região.

O Irã produz aproximadamente 3,3 milhões de barris por dia, o equivalente a 3% da oferta global. Apesar da fatia relativamente modesta, sua posição geográfica estratégica amplia o peso do país na dinâmica energética mundial.

A Bloomberg Economics avalia que, caso o estreito permaneça fechado, o preço do petróleo pode alcançar US$ 108 por barril, ampliando os riscos para a inflação global.

Opep+ decide ampliar produção

Em meio à escalada do conflito, a Opep+ decidiu aumentar a produção em 206 mil barris por dia no próximo mês. A decisão já era esperada antes do início das hostilidades.

O grupo reúne países como Arábia Saudita, Rússia e o próprio Irã. A ampliação busca compensar parte das incertezas, mas o impacto pode ser limitado diante da interrupção logística no Golfo Pérsico.

Embora Teerã tenha declarado que não pretende fechar o Estreito de Ormuz, o país informou ter atacado três navios na região. Dados digitais indicam que o tráfego de petroleiros praticamente cessou.

Analistas do Goldman Sachs afirmaram que o transporte marítimo “parece significativamente interrompido”, mas ressaltaram não haver confirmação de danos à produção ou infraestrutura de exportação.

Bolsas recuam e investidores buscam proteção

A reação nos mercados acionários foi imediata. A Bolsa de Tóquio caiu 2,3% na sessão matinal. Hong Kong recuou 1,5%, enquanto Shenzhen perdeu 0,25%.

Índia, Taiwan, Filipinas e Austrália também registraram quedas. Nos Estados Unidos, os futuros do S&P 500 e do Nasdaq 100 recuaram mais de 1% nas primeiras negociações após o início do conflito.

Na contramão, ações de empresas de energia avançaram, beneficiadas pela alta do petróleo.

Diante da incerteza, investidores buscaram ativos de refúgio. O rendimento dos títulos do Tesouro americano caiu ao menor nível desde abril no caso dos papéis de dez anos, e ao menor patamar desde outubro de 2024 nos títulos de cinco anos.

O ouro subiu 1,6%, negociado próximo de US$ 5.360 a onça. O dólar também se fortaleceu frente à maioria das moedas do G10.

Analistas alertam para volatilidade

Josh Gilbert, analista da eToro Ltd., declarou que choques geopolíticos costumam gerar movimentos intensos iniciais nos preços do petróleo e em ativos de refúgio, mas que esses efeitos podem se dissipar se o conflito for contido.

Segundo ele, enquanto não houver sinais claros de desescalada, a volatilidade deve permanecer elevada nos mercados de petróleo, ouro, moedas e ações ao longo da próxima semana.

Adam Hetts, da Janus Henderson, escreveu em relatório que os mercados parecem precificar um conflito limitado. Para ele, diversificação e visão de longo prazo tornam-se essenciais em momentos de incerteza.

Riscos para inflação e bancos centrais

A disparada do petróleo ocorre em um momento delicado para as bolsas americanas, que no mês passado registraram sua pior queda desde abril.

Se os custos de energia permanecerem elevados, as pressões inflacionárias podem se intensificar globalmente. Isso tende a dificultar o trabalho de bancos centrais, como o Federal Reserve, que tentam equilibrar controle de preços com crescimento econômico.

O conflito marca uma fase mais perigosa para o mercado global de petróleo. No sábado, EUA e Israel lançaram mísseis contra alvos no Irã. Teerã respondeu com ataques contra Israel, bases americanas e alvos em países como Qatar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Bahrein. O líder supremo iraniano, Ali Khamenei, foi morto.

O cenário amplia as incertezas sobre o transporte marítimo internacional, viagens e estabilidade energética, com potencial de repercussões prolongadas na economia mundial.

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