Pela primeira vez em sua história, a Venezuela será liderada por uma mulher. Delcy Rodríguez tomou posse nesta segunda-feira (5) como presidente interina do país, em meio à maior crise política venezuelana dos últimos anos, deflagrada após a controversa captura de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos.
A cerimônia de juramento ocorreu na Assembleia Nacional, em Caracas, e seguiu decisão do Supremo Tribunal de Justiça venezuelano, que indicou Delcy como chefe de Estado por um mandato renovável de 90 dias. A nomeação tem apoio do Exército e da cúpula do Legislativo.
Posse marcada por emoção e desafio
“Estou aqui com tristeza pelo rapto de dois heróis que estão reféns nos Estados Unidos. Tenho também a honra de prestar juramento em nome de todos os venezuelanos”, declarou Rodríguez ao assumir formalmente a presidência interina.
A fala da nova mandatária foi marcada por forte crítica à operação militar norte-americana, que ela qualifica como um “sequestro” do então presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores. Ambos foram levados a Nova York e são acusados de narcoterrorismo pelo Departamento de Justiça dos EUA.
Apoio institucional interno reforça transição
Desde a operação americana, no sábado (3), o Supremo Tribunal de Justiça determinou que Delcy Rodríguez deveria assumir o Executivo para assegurar a “continuidade administrativa e a defesa integral da nação”.
No domingo (4), as Forças Armadas venezuelanas endossaram a decisão e passaram a reconhecer a vice-presidente como a nova chefe de Estado.
Na Assembleia Nacional, a posse foi formalizada com rito tradicional, reforçando a legitimidade da transição institucional sob a ótica do governo venezuelano.
Primeira mulher no comando do país
Delcy Rodríguez, de 56 anos, é ex-chanceler e atuava como vice-presidente de Maduro desde 2018. Com a posse, torna-se a primeira mulher a ocupar a presidência da Venezuela, num momento em que o país enfrenta pressão internacional e instabilidade política severa.
Nos últimos dias, Delcy tem adotado tom conciliador em relação à comunidade internacional, ao mesmo tempo em que exige a libertação imediata de Maduro, a quem se refere como “único presidente legítimo da Venezuela”.
Divisão internacional sobre crise
A operação americana provocou reações mistas no cenário internacional. Enquanto países como Estados Unidos, Reino Unido e França apontam falhas democráticas graves no governo de Maduro, outras nações — como Rússia, China e Colômbia — condenaram com veemência a ação militar dos EUA, classificando-a como violação da soberania venezuelana.
A comunidade latino-americana também está dividida: governos mais alinhados à Casa Branca apoiam a transição proposta por Washington; outros alertam para o risco de precedentes perigosos nas relações internacionais.


