Reunião do Conselho de Segurança da ONU discute invasão dos EUA à Venezuela

EUA dizem na ONU que não vão ocupar a Venezuela; Rússia denuncia ‘bandidagem’

Há 2 dias
Atualizado terça-feira, 6 de janeiro de 2026

A crise na Venezuela desencadeou uma tempestade diplomática na ONU. Em reunião emergencial do Conselho de Segurança, realizada nesta segunda-feira (5), os Estados Unidos tentaram justificar a captura de Nicolás Maduro como uma “operação policial”, enquanto Rússia e China acusaram Washington de imperialismo e exigiram a libertação imediata do ex-presidente venezuelano.

Conselho de Segurança vira palco de embate global

O encontro ocorreu em Nova Iorque, a poucos quilômetros do tribunal onde Maduro foi apresentado à Justiça americana. Convocada pelo governo de Caracas, com apoio da Colômbia, a reunião rapidamente se transformou em um palco de acusações entre potências mundiais, revelando o abalo nas normas que regem as relações internacionais.

A vice-secretária-geral da ONU, Rosemary Di Carlo, abriu a sessão com uma declaração do secretário-geral António Guterres. Ele alertou para o risco de instabilidade regional e ressaltou que as recentes ações violam o direito internacional e a Carta das Nações Unidas. “Estou profundamente preocupado com o precedente que isso pode criar para a forma como as relações entre os Estados são conduzidas”, afirmou.

Rússia chama operação de ‘bandidagem’ e exige libertação

O discurso mais duro partiu da Rússia. O embaixador Vasily Nebenzya classificou a operação americana como “crime cínico” e “bandidagem”. Para ele, a ofensiva representa o retorno a uma era de dominação imperial, em que os EUA agem como um “juiz supremo do mundo”.

Nebenzya acusou Trump de agir abertamente por interesse nos recursos naturais venezuelanos, em especial o petróleo. “Eles nem escondem os objetivos. Querem os recursos naturais”, disse. Segundo ele, quem não reage a esse tipo de agressão “é covarde”.

China pede libertação imediata de Maduro

A China também se posicionou contra os EUA. O diplomata Fu Cong pediu que Maduro fosse solto e afirmou que as ações americanas ameaçam a estabilidade regional. “Pare de tentar derrubar o governo da diplomacia”, disse.

Pequim acusou Washington de violar os princípios da soberania e da igualdade entre os Estados, e rejeitou o que chamou de “bullying internacional”. Para a China, os EUA agiram como “a polícia do mundo”, atropelando o direito internacional.

EUA: “Não há guerra, nem ocupação”

Em resposta, o embaixador americano Mike Waltz defendeu a operação. Segundo ele, não há guerra contra a Venezuela nem intenção de ocupação. “Esta foi uma operação policial”, afirmou.

Waltz comparou a prisão de Maduro à captura de Manuel Noriega, no Panamá, em 1989. Ele acusou o ex-presidente venezuelano de liderar uma organização criminosa e lembrou que há acusações antigas por tráfico de drogas. “As provas esmagadoras serão apresentadas nos tribunais dos EUA.”

O diplomata também alegou que Trump tentou negociar com Maduro, mas que o líder venezuelano se recusou a qualquer diálogo.

Europa critica intervenção e pede respeito ao direito internacional

Mesmo entre aliados ocidentais, a operação americana gerou incômodo. A Dinamarca, por exemplo, condenou Maduro, mas criticou os EUA por desrespeitarem princípios “sacrossantos” como a inviolabilidade das fronteiras.

Reino Unido e França também denunciaram a manipulação das eleições venezuelanas em 2024, mas defenderam que a transição política seja conduzida internamente, pelos próprios venezuelanos.

ONU alerta para risco de guerra regional

António Guterres encerrou sua mensagem com um apelo à diplomacia. Segundo ele, a Venezuela vive décadas de instabilidade e há risco real de agravamento da violência. “Mas ainda é possível evitar uma guerra maior”, concluiu.

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