O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) já recebeu 600 mil solicitações de ressarcimento de credores do Banco Master, que foi liquidado em dezembro de 2025. O total estimado de pessoas com direito à devolução de valores é de cerca de 800 mil. Os pagamentos começaram nesta segunda-feira (19), em parcela única, para os investidores que aplicaram em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) emitidos pelo banco.
O atendimento vem sendo feito por meio de um aplicativo criado especialmente para esse processo, que, segundo o FGC, opera normalmente e processa em média 11,8 mil pedidos por hora — o equivalente a três solicitações por segundo.
400 mil já concluíram o processo e aguardam pagamento
Do total de pedidos registrados, cerca de 400 mil credores já concluíram todas as etapas do processo, incluindo a validação de identidade, e entraram na fila para receber os valores. O FGC esclarece que, por questões de segurança, alguns pedidos passam por verificações adicionais que podem atrasar a liberação dos recursos.
A indenização segue o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira. O valor inclui o montante investido e os rendimentos acumulados até a data da liquidação do banco, ocorrida em 18 de dezembro de 2025.
Documentação exigida e cuidados com golpes
Para a validação da identidade, o FGC aceita documentos como RG com CPF, CNH física ou digital, Carteira de Identidade Nacional (CIN), RNE e CRNM. A instituição alerta que documentos sem CPF não são aceitos para a validação por biometria.
Também foi reforçado o alerta para tentativas de golpe. O fundo não cobra taxas, não antecipa pagamentos e não utiliza intermediários. “Nenhum contato é feito por WhatsApp ou SMS”, reforçou a entidade em comunicado oficial.
Capacidade financeira e revisão de números
O número de credores com direito à cobertura foi revisado para baixo, passando da estimativa inicial de 1,6 milhão para 800 mil. Com isso, o valor total a ser pago também caiu: de R$ 41,3 bilhões previstos inicialmente para R$ 40,6 bilhões. Segundo o FGC, há liquidez suficiente para cobrir o montante, com recursos da ordem de R$ 125 bilhões.
Os valores serão pagos à vista para quem aplicou em CDBs, RDBs, LCIs e LCAs. Já investimentos como debêntures, CRIs, CRAs e fundos de investimento não estão cobertos pelo fundo.
Banco foi liquidado por risco elevado e irregularidades
O Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, foi liquidado pelo Banco Central após uma série de problemas financeiros e suspeitas de irregularidades. A instituição apresentava alto custo de captação, forte exposição a investimentos de risco e falta de transparência nas operações. Tentativas de venda da instituição não prosperaram, inclusive uma proposta do Banco de Brasília (BRB) que foi barrada por órgãos de controle.
A situação se agravou quando o banco passou a oferecer CDBs com rentabilidades muito superiores à média do mercado, o que gerou desconfiança. Investigações e denúncias relacionadas à operação da instituição aumentaram a pressão sobre as autoridades, culminando na liquidação em dezembro passado.


