Fotomontagem de Alexandre de Moraes e Donald trump com a bandeira americana ao fundo

Governo Trump condiciona fim do tarifaço contra Brasil a soluções de impasses políticos

Há 6 meses
Atualizado quinta-feira, 4 de setembro de 2025

A diplomacia do governo Donald Trump disse expressamente a representantes empresariais brasileiros que o tarifaço de 50% contra o Brasil depende de soluções para “impasses políticos” entre os países. O recado foi dado pelo secretário de Estado adjunto Christopher Landau a uma comitiva da Confederação Nacional da Indústria e da Câmara Americana de Comércio para o Brasil durante reunião em Washington nesta quarta-feira. A declaração reforça a interpretação do Palácio do Planalto sobre a carta de Trump cobrando fim do processo contra Jair Bolsonaro e queixas sobre ações judiciais contra plataformas digitais americanas.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, relatou que Landau foi “honesto” e “pragmático” ao deixar claro que a questão comercial tem fundo político. “Ele colocou que o assunto passa por soluções políticas”, declarou Alban após o encontro.

Landau também mencionou questões das big techs americanas, cuja atuação o governo Lula pretende regular e tributar. O diplomata afirmou que a comitiva brasileira “deveria fazer lobby no Brasil” contra a “censura” a empresas digitais americanas.

CNI propõe mesa de negociação comercial

O presidente da CNI disse que propôs uma mesa de negociação sobre temas de interesse comum, incluindo minerais críticos, data centers e combustível sustentável de aviação a partir de etanol. Alban reforçou que pretende atuar dentro dos limites de competência do setor produtivo.

Após a reunião, o dirigente empresarial defendeu que o Congresso Nacional encontre uma solução internamente. Questionado sobre anistia ao ex-presidente, respondeu: “Pode ser. O Legislativo vai encontrar a solução. Muitas tensões podem ficar amenizadas, não é verdade?”

Alban fez referência a experiências passadas de anistia no país, mas ponderou que não se pode “falar de anistia sem ter o julgamento”. O empresário disse ter feito telefonemas após a conversa para buscar contato com o vice-presidente Geraldo Alckmin.

Departamento de Estado é único canal autorizado

Landau frisou que apenas o Departamento de Estado tem autorização da Casa Branca para discutir a questão brasileira. A informação indica que o governo Lula estaria “batendo na porta errada” ao tentar abrir outros canais de negociação.

“O próprio secretário Landau nos falou: ‘Vocês são os primeiros que estão vindo aqui conversar sobre essa relação Brasil-Estados Unidos. Porque nós somos os responsáveis por essa negociação, mas nenhum outro setor do governo'”, relatou Alban.

O governo brasileiro havia apostado em outros canais como o Departamento de Comércio, o Tesouro e o Escritório do Representante Comercial. A orientação de Landau sugere concentração das negociações no Departamento de Estado.

Questões judiciais estão no centro da tensão

O governo Trump se insurgiu contra decisões judiciais do Supremo que atingiram negócios de empresas americanas. O ministro Alexandre de Moraes foi punido pela Lei Magnitsky e processado na Flórida por empresas como Rumble e Trump Media.

“Em nenhum momento o secretário Landau falou de nomes da política partidária. Ele falou do aspecto político com relação às relações comerciais, às relações das empresas americanas, de censuras e tudo mais”, explicou Alban.

O governo brasileiro já afirmou que não aceitará colocar concessões institucionais na mesa de negociações. A posição oficial é que temas políticos como o processo judicial contra Bolsonaro não são negociáveis e pertencem ao Poder Judiciário.

Missão empresarial busca outros canais

A delegação de cerca de 130 empresários e dirigentes também foi ao Capitólio para reuniões com senadores republicanos Ted Cruz e Robert Kennedy, além do congressista Buddy Carter. A CNI contratou o advogado Brian Ballard, ligado a Trump, para lobby em Washington.

A missão empresarial tem expectativa de realizar reuniões com o Departamento de Comércio e o Tesouro americano nesta quinta-feira. Até agora, autoridades americanas não revelaram detalhes sobre novas sanções contra bancos ou membros do Executivo e Supremo brasileiro.

Landau é o segundo na hierarquia da diplomacia americana, abaixo apenas do secretário Marco Rubio. O chanceler brasileiro Mauro Vieira encontrou-se apenas uma vez com Rubio em julho, expressando que o governo considera “inaceitável e descabida a ingerência na soberania nacional”.

Autor

Leia mais

STJ reconhece incidência de agravante por violência doméstica em contravenções penais

Juiz não pode fazer “retratação da retratação”, decide STJ

Há 38 minutos

Senado aprova acordo Mercosul-União Europeia e conclui ratificação no Congresso

Há 59 minutos

Câmara aprova PEC que reorganiza a segurança pública no Brasil

Há 2 horas

Mensagens revelam que Vorcaro comemorou emenda de Ciro Nogueira que beneficiaria o Master

Há 3 horas

Turma decide se mantem indeferimento da prisão domiciliar a Bolsonaro no dia 05

Há 13 horas
Congresso do TST sobre relações de trabalho

Pejotização interfere para além das questões trabalhistas na população brasileira, afirmam especialistas

Há 14 horas
Maximum file size: 500 MB