Da Redação
Jornalistas que acompanham a internação do ex-presidente Jair Bolsonaro em Brasília estão sendo ameaçados e agredidos. A situação levou entidades de representação da categoria a divulgar notas de repúdio e a cobrar das autoridades medidas urgentes de proteção aos profissionais.
O caso envolve um vídeo publicado por uma influenciadora bolsonarista que acusa os repórteres presentes na porta do Hospital DF Star de desejar a morte do ex-presidente. O conteúdo foi compartilhado por parlamentares e pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que conta com mais de 8 milhões de seguidores nas redes sociais.
Ataques saíram do ambiente virtual para as ruas
A situação foi além das ofensas digitais. Pelo menos duas repórteres foram reconhecidas e atacadas na rua. Nas redes, circularam montagens feitas com inteligência artificial — incluindo um vídeo que simula o esfaqueamento de uma das profissionais. Fotos de filhos e parentes de jornalistas também foram usadas como ferramenta de intimidação.
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) classificou a divulgação do vídeo como irresponsável, já que o material foi distorcido e expôs profissionais que, segundo a entidade, estavam apenas exercendo seu trabalho. A associação afirmou que usar influência pública para difamar e incitar agressões contra jornalistas é um ataque direto à liberdade de imprensa e à democracia.
Entidades cobram ação do Estado e das redações
A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) também se manifestaram. As entidades reforçaram que é dever do Estado garantir a segurança dos profissionais em locais públicos e anunciaram que vão pedir reforço policial na frente do hospital para evitar agressões por parte de militantes.
As entidades ainda exigiram que as empresas de comunicação ofereçam suporte jurídico aos jornalistas e que aqueles que não se sentirem seguros sejam afastados do local. Além disso, pediram que a Polícia Civil e o Ministério Público identifiquem e punam os responsáveis pelas ameaças e pela exposição indevida de dados pessoais dos profissionais.
Bolsonaro segue internado na UTI em Brasília
O ex-presidente está internado desde a manhã de sexta-feira (13) na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital DF Star, com diagnóstico de broncopneumonia bacteriana bilateral de provável origem aspirativa. O boletim médico mais recente indica quadro estável e melhora da função renal, mas os médicos ampliaram a dosagem de antibióticos após elevação de marcadores inflamatórios no sangue.
Não há previsão de transferência da UTI para um quarto. Após alta hospitalar, Bolsonaro deverá retornar ao Complexo Penitenciário da Papuda, onde cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e crimes correlatos.


