Lula cabisbaixo e triste com a mão na cabeça

Lula justifica encontro com Vorcaro e diz que “lei é igual para todos” em referência a Lulinha e o INS

Há 42 segundos
Atualizado sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (5) que o encontro mantido com o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, seguiu um padrão habitual de audiências com representantes do sistema financeiro. A declaração foi dada em entrevista exclusiva ao UOL News, em meio a questionamentos sobre a reunião ter ocorrido fora da agenda oficial do Palácio do Planalto.

O encontro aconteceu em novembro de 2024, período em que o Banco Master já era alvo de investigações conduzidas pelo Banco Central do Brasil. Meses depois, em 2025, a instituição financeira acabou sendo liquidada, após a constatação de irregularidades.

Segundo Lula, a reunião foi solicitada pelo próprio Vorcaro, que buscava relatar ao presidente uma suposta perseguição que estaria sofrendo por parte de órgãos de fiscalização. O chefe do Executivo ressaltou que ouvir empresários faz parte da rotina presidencial e não implica interferência em investigações.

Reuniões fora da agenda e rotina presidencial

Na entrevista, Lula destacou que encontros fora da agenda oficial não são exceção e ocorrem com frequência, sobretudo quando envolvem representantes de setores estratégicos da economia. De acordo com o presidente, executivos de diferentes bancos e empresas o procuram regularmente para apresentar preocupações ou defender seus pontos de vista.

Ele afirmou que ouvir não significa concordar nem agir em favor de interesses privados. Segundo Lula, o papel do presidente é escutar diversos setores da sociedade, mantendo, no entanto, o respeito à autonomia das instituições responsáveis por fiscalizar e punir eventuais irregularidades.

O presidente também frisou que não fez qualquer tipo de promessa ou encaminhamento a Vorcaro. A conversa, segundo ele, limitou-se à escuta das queixas apresentadas pelo empresário.

Investigação do Banco Master

À época do encontro, o Banco Central já monitorava operações do Banco Master, diante de indícios de problemas na condução dos negócios. As investigações avançaram ao longo de 2024 e 2025, culminando na liquidação da instituição financeira.

Lula ressaltou que nunca interferiu nem pretende interferir em decisões técnicas do Banco Central. Para ele, a atuação do órgão regulador é fundamental para a credibilidade do sistema financeiro e deve ocorrer sem pressões políticas.

O presidente argumentou que, se deixasse de receber empresários investigados, também teria de se recusar a conversar com políticos, sindicalistas ou representantes de outros setores que enfrentam questionamentos judiciais ou administrativos.

Repercussão política do encontro

A revelação da reunião fora da agenda oficial gerou críticas de adversários políticos e levantou questionamentos sobre transparência. Parlamentares da oposição cobraram explicações adicionais e defenderam regras mais rígidas para encontros entre autoridades e empresários sob investigação.

Lula, por sua vez, afirmou não ver irregularidade na situação. Ele lembrou que a legislação não proíbe o presidente de receber empresários investigados, desde que não haja interferência nos órgãos de controle ou benefício indevido.

O presidente também ressaltou que o conteúdo da conversa não tratou de decisões governamentais concretas, nem de medidas que pudessem favorecer o Banco Master ou seu controlador.

Defesa da institucionalidade

Ao comentar o caso, Lula reforçou o discurso de respeito às instituições e à separação de funções entre os Poderes e os órgãos de Estado. Segundo ele, o governo não atua para proteger empresas ou empresários que tenham cometido irregularidades.

Para o presidente, o episódio não compromete a atuação do Banco Central nem a política econômica do governo. Ele reiterou que a liquidação do Banco Master demonstra que as instituições funcionaram de forma independente, apesar do encontro ocorrido meses antes.

Lula concluiu afirmando que continuará dialogando com representantes do setor financeiro, da indústria e de outros segmentos, sempre dentro dos limites legais e institucionais.

Autor

Leia mais

STJ autoriza uso de medidas atípicas em processos de execução, mediante regras específicas

STJ deve afastar Marco Buzzi após sindicância por acusação de assédio

Há 1 hora
Ministro Edson Fachin, presidente do STF

Fachin adia reunião sobre código de ética em meio a embates no STF

Há 2 horas
Estátua da Justiça ao lado do martelo

Achado pela Interpol, homem acusado de homicídio que estava na França é finalmente julgado pela Justiça do DF 

Há 12 horas

STF valida norma que prevê aumento de pena para crimes contra honra de funcionários públicos

Há 14 horas
Ministro Og Fernandes, durante sessão do STJ

Demanda previdenciária cujo valor possa ser calculado com base na sentença, pode dispensar remessa necessária, diz STJ

Há 14 horas
Argentina imita macaco para ofender funcionários de um bar

Justiça aceita denúncia e advogada argentina vira ré por racismo no Rio

Há 14 horas
Maximum file size: 500 MB