Ministros do Supremo Tribunal Federal avaliam que transferir o inquérito do caso Master para a primeira instância seria uma forma de preservar a imagem da Corte e do ministro Dias Toffoli, relator da investigação. A proposta, discutida nos bastidores, ganha força diante das suspeitas sobre o envolvimento de familiares de Toffoli com empresas ligadas ao banco investigado. O ministro, porém, resiste à ideia e nega qualquer motivo para suspeição.
Crise de imagem pressiona o Supremo
A permanência de Dias Toffoli na relatoria do inquérito sobre o Banco Master tem causado desconforto entre seus colegas no STF. O ministro tem sido criticado pelo sigilo imposto ao processo, por uma viagem de jatinho com advogado ligado ao caso e pelas ligações familiares com o resort Tayayá, que negociou cotas com fundos associados ao banco investigado.
Diante do desgaste crescente, ministros passaram a defender que Toffoli envie o caso de volta à primeira instância. A medida permitiria a continuidade da investigação sem que a Corte permanecesse no centro da crise.
Saída evitaria anulação de atos e manteria validade de decisões
O envio do inquérito para a primeira instância também é defendido por membros do Ministério Público Federal e por advogados envolvidos no caso. Eles acreditam que a transferência permitiria manter válidos os atos já praticados — como depoimentos, acareações e mandados — e daria novo fôlego à apuração.
A investigação foi parar no STF após a Polícia Federal encontrar um documento que mencionava o deputado João Carlos Bacelar (PL-BA), o que justificaria o foro privilegiado. No entanto, até agora não há indícios de envolvimento direto do parlamentar nas fraudes bancárias investigadas.
Toffoli resiste e diz não haver razão para se afastar
Apesar das pressões, Toffoli tem afirmado a interlocutores que não vê motivos para deixar a relatoria. Segundo ele, não há hipótese legal de impedimento nem motivo de foro íntimo para declarar suspeição.
O Código de Processo Penal prevê impedimento quando há participação de parentes do juiz na causa, ou quando há interesse direto. Já a suspeição é mais subjetiva, e inclui amizade íntima com as partes ou advogados, ou o recebimento de benefícios. Toffoli tem dito que nenhuma dessas situações se aplica a ele.
Decisões do ministro causam atritos com a Polícia Federal
Toffoli tem adotado uma postura centralizadora no processo. A acareação entre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi marcada por sua ordem mesmo antes da PF ouvir os investigados separadamente.
O ministro também impôs um cronograma de depoimentos reduzido e indicou, por conta própria, os peritos responsáveis pela análise de provas, o que provocou reação da PF. A associação dos delegados classificou as decisões como uma “afronta às prerrogativas” da categoria.
Investigação segue sob controle de Toffoli, mas cenário pode mudar
O ministro sinalizou que só decidirá sobre a permanência da investigação no STF após novos avanços no caso. Ele cogita, como alternativa, um eventual desmembramento do inquérito, com ele permanecendo responsável por autoridades com foro e a primeira instância assumindo os demais investigados.
Enquanto isso, Toffoli continua acelerando os trâmites da operação Compliance Zero, sob críticas por sua condução considerada excessivamente pessoal e centralizada.


