Por Hylda Cavalcanti
Os ministros da 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) aproveitaram esta terça-feira (03/03) — quando começou a atuar no colegiado o desembargador convocado Luis Carlos Gambogi — para reanimar os trabalhos e acabar com o clima de tensão das últimas semanas. Isto porque o magistrado, originário do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) participou de sua primeira sessão, em substituição ao ministro afastado Marco Aurélio Buzzi.
Buzzi foi alvo de denúncias de importunação sexual que estão sendo investigadas em três frentes: por meio de sindicância no próprio STJ, por meio de pedido de providências da Corregedoria Geral de Justiça e, também, por meio de processo em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF). E que, apesar de ainda em fase de apuração, provocaram constrangimentos na Corte.
Mudança de clima na Turma
Após o episódio de denúncia e do afastamento do ministro, os julgamentos da Turma se seguiram num clima bem mais sério do que o normal, com os integrantes visivelmente tensos. Desta vez, no entanto, os magistrados fizeram questão de fazer saudações e brincadeiras com o desembargador convocado.
Luis Carlos Gambogi é advogado e entrou no TJMG por vaga referente ao quinto constitucional. Ele também teve uma trajetória de sucesso em vários processos nos quais atuou, antes de ser desembargador, e na política, tendo sido deputado. Gambogi foi saudado com parabenizações e brincadeiras, principalmente sobre o clube para o qual ele torce.
“Humanista e cruzeirense”
Durante a sessão, a advogada Ana Maria subiu à tribuna representando a seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Minas Gerais para fazer sua homenagem e lembrou que “além de humanista, Gambogi é cruzeirense”. O desembargador riu e brincou respondendo que tinha certeza que sua convocação tinha sido definida por seus méritos mas errou, pois não sabia que tinha sido chamado por ser “grande torcedor do Cruzeiro”.
Para não perder a piada, o ministro João Otávio de Noronha, também integrante da Turma e torcedor do mesmo time, disse que o magistrado tinha como um fato bom nunca vir a ser visto triste pelos colegas. E explicou: “Falo isso, porque você nunca vê tristeza no semblante de um cruzeirense que é sempre vitorioso”.
A comissão de sindicância instalada no STJ para avaliar a situação do ministro Marco Buzzi tem previsão de apresentar seu relatório inicial na próxima terça-feira, dia 10 de março.


