Moraes pede informações sobre agenda de assessor de Trump antes de visita a Bolsonaro

Há 2 horas
Atualizado quinta-feira, 12 de março de 2026

Da redação

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o Ministério das Relações Exteriores informe sobre a existência de agenda diplomática de Darren Beattie, assessor sênior para a política em relação ao Brasil no governo do presidente norte-americano Donald Trump. A solicitação, na (EP) 169, ocorre após a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro pedir a mudança de data de uma visita autorizada pelo próprio ministro.

Moraes havia autorizado que Beattie visitasse Bolsonaro no dia 18 de março, das 8h às 10h. Na quarta-feira (11), a defesa do ex-presidente apresentou pedido de reconsideração do horário e da data, alegando que o assessor americano teria compromissos diplomáticos na mesma semana.

Ministro mantém data e nega mudança de agenda

A defesa de Bolsonaro havia pedido que a visita fosse realizada em caráter excepcional nos dias 16 ou 17 de março — uma segunda ou terça-feira. Normalmente, as visitas ao ex-presidente são agendadas para quartas-feiras e sábados, conforme o regime da unidade prisional.

Moraes indeferiu o pedido com o argumento de que não há previsão legal para alterar especificamente o dia das visitas. Em sua decisão, o ministro afirmou que “os visitantes devem se adequar ao regime legal do estabelecimento prisional e não o contrário”, a fim de preservar a organização administrativa e a segurança da unidade.

O ministro também autorizou que Beattie esteja acompanhado de um intérprete durante a visita, desde que o nome do profissional seja informado previamente às autoridades responsáveis pela custódia do ex-presidente.

Bolsonaro cumpre pena na Papudinha, em Brasília

Condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro está detido na Papudinha, unidade prisional localizada em Brasília. Todas as visitas ao ex-presidente precisam ser previamente autorizadas pelo ministro Moraes, que foi o relator do processo criminal que resultou em sua condenação pela Primeira Turma do STF.

O julgamento concluiu que Bolsonaro articulou um golpe de Estado após ser derrotado nas eleições presidenciais de 2022. A condenação foi proferida pelo colegiado do tribunal e consolidou o impedimento do ex-presidente de exercer cargos públicos.

Quem é Darren Beattie, o assessor que quer visitar Bolsonaro

Darren Beattie ocupa o cargo de Senior Advisor for Brazil Policy no Departamento de Estado dos Estados Unidos, integrando o governo Trump. De perfil de extrema direita, ele é descrito no site oficial do Departamento de Estado como defensor da liberdade de expressão como instrumento diplomático.

Beattie não é figura desconhecida no cenário político brasileiro. Em meados de 2025, o assessor publicou críticas ao ministro Moraes na rede social X, chegando a classificá-lo como “principal arquiteto da censura e perseguição a Bolsonaro”. A declaração provocou um incidente diplomático: o Itamaraty convocou o principal representante dos Estados Unidos em Brasília para prestar esclarecimentos.

O governo norte-americano chegou a sancionar formalmente o ministro Moraes, acusando-o de autorizar prisões preventivas arbitrárias e de restringir a liberdade de expressão ao conduzir casos relacionados à suposta trama golpista de 2022. Após o anúncio das sanções, Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, usou o X para agradecer publicamente a Beattie pelo empenho na causa.

Visita ocorre em semana de tensão diplomática entre Brasil e EUA

Beattie estará no Brasil na semana do dia 18 de março. Além da visita a Bolsonaro, o assessor deve participar, no mesmo dia, de um evento sobre minerais críticos em São Paulo, segundo fontes ligadas ao governo Trump. A passagem do americano pelo país ocorre em um momento de tensão nas relações bilaterais entre os dois países.

Está em discussão no governo dos Estados Unidos a possibilidade de classificar facções criminosas brasileiras — como o PCC e o Comando Vermelho — como Organizações Terroristas Estrangeiras. O governo brasileiro se opõe à medida, temendo que a classificação abra caminho para algum tipo de intervenção estrangeira no país.

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