Da redação
O Núcleo de Custódia da Polícia Militar do Distrito Federal informou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, a rotina hospitalar do ex-presidente Jair Bolsonaro desde a véspera de ser internado. O documento, assinado pelo coronel Emilio Castellar, diretor do NCPM, relata que Bolsonaro foi transferido em caráter de urgência para o Hospital DF Star, em Brasília, na madrugada do dia 13 de março de 2026, após avaliação médica indicar risco de morte. A escolta saiu do Complexo Penitenciário da Papuda às 6h52 e chegou ao hospital por volta das 8h55.
A decisão pela transferência foi tomada pela médica de plantão, Dra. Ana Cristina, diante da gravidade do quadro clínico do ex-presidente. A partir da internação, constam nos registros oficiais consultas, fisioterapia e atividades físicas.
Atendimentos médicos intensivos antes da internação
No dia 12 de março, véspera da transferência para o hospital, Bolsonaro recebeu, segundo o documento, quatro atendimentos médicos ainda no complexo penitenciário. O médico Luciano Coelho realizou consultas às 10h20, às 17h22 e às 18h38 — três atendimentos em menos de nove horas. Às 20h45, a Dra. Ana Cristina também o atendeu. Naquele mesmo dia, o ex-presidente recebeu a visita do filho Carlos Bolsonaro, pela manhã, e da esposa Michelle Bolsonaro, à tarde.
O volume de consultas em um único dia antecipou o cenário que levaria à transferência emergencial na manhã seguinte. O relatório não especifica os diagnósticos nem os procedimentos adotados, limitando-se a registrar os horários e os profissionais envolvidos. Também não houve fisioterapia nem atividades laborais naquele dia — apenas uma caminhada foi registrada como atividade física.
A transferência para o DF Star, portanto, foi precedida de uma escalada de atendimentos que indicava deterioração do estado de saúde do custodiado, culminando na decisão médica de acionar a escolta policial militar para remoção hospitalar de emergência.
Michelle Bolsonaro permanece ao lado do marido durante internação
Desde a internação, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro tem sido presença constante e quase ininterrupta ao lado do marido. Os registros do NCPM mostram que ela esteve no hospital em todos os dias do período coberto pelo relatório — com entradas que se estenderam até a madrugada em várias ocasiões. No dia 14, por exemplo, ela chegou pela manhã, saiu à noite e retornou às 22h14. No dia 17, voltou a entrar às 22h28.
Os filhos do ex-presidente também se revezaram nas visitas. Carlos Nantes Bolsonaro esteve presente nos dias 12, 14, 15, 16, 17 e 18 de março. Flávio Nantes Bolsonaro visitou o pai nos dias 14, 15 e 17. Jair Renan Bolsonaro aparece nos registros do dia 18, com duas passagens ao longo do dia — das 11h21 às 14h45 e das 19h35 às 22h38. A enteada Letícia Marianna Firmo também esteve presente no dia 14.
Ao longo de toda a internação, os registros não apontaram qualquer visita de terceiros que não fossem parentes ou advogados. No dia 18, último dia coberto pelo relatório, o advogado Daniel Bettamio Tesser (OAB 208351) visitou o ex-presidente entre 10h55 e 11h20 — a única visita de defesa registrada durante a internação.
Nos seis dias de internação cobertos pelo documento — de 13 a 18 de março —, não houve registro de atividades laborais, leituras ou ocorrências adicionais em nenhuma das datas. O relatório foi assinado digitalmente pelo coronel Emilio Castellar em 20 de março de 2026 e endereçado ao ministro Alexandre de Moraes, na Praça dos Três Poderes, em Brasília.
Boletim médico
Segundo o último boletim médico, divulgado nesta sexta-feira (20), o ex-presidente Jair Bolsonaro permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva do hospital DF Star, em tratamento de pneumonia bacteriana bilateral decorrente de episódio de broncoaspiração. Mantém boa evolução clínica e laboratorial, em uso de antibioticoterapia endovenosa. Segue com suporte clínico intensivo e fisioterapia respiratória e motora. Não há previsão de alta da UTI neste momento.


