Por Jeffis Carvalho
O Brasil chega ao Oscar 2026 com chances reais em três frentes distintas: o filme “O Agente Secreto” concorre na categoria de Melhor Filme Internacional, o elenco do longa aparece como azarão na inédita categoria de Direção de Elenco, e Wagner Moura figura entre os indicados a Melhor Ator em uma temporada descrita pela imprensa norte-americana como uma das mais imprevisíveis em décadas. A cerimônia acontece neste domingo, 15 de março, no Dolby Theatre, em Los Angeles.
A produção protagonizada por Moura enfrenta na categoria internacional o favoritismo do norueguês “Valor Sentimental”, que acumula nove indicações no total, incluindo Melhor Filme. A disputa, no entanto, é descrita pela imprensa especializada como “a mais acirrada da categoria em anos” — o que, por si só, já representa um feito expressivo para o cinema brasileiro.
Wagner Moura: o consenso crítico que a Academia raramente segue
Na corrida a Melhor Ator, Wagner Moura interpreta um estoico e profundo agente secreto em uma performance que conquistou parte significativa da crítica norte-americana. Vários analistas o apontam como quem “deveria ganhar” — um reconhecimento raro para um ator latino em Hollywood. O problema, como a própria imprensa observa, é que a Academia raramente acompanha esse tipo de consenso crítico quando a disputa envolve nomes mais populares.
O favoritismo na categoria pertence a Michael B. Jordan, que interpreta gêmeos em “Pecadores” e chegou ao fim da temporada com o vento a seu favor após vencer o SAG Award — prêmio que, em 30 anos de história, antecipou o Oscar em 27 ocasiões. Timothée Chalamet, que liderou as apostas por meses, perdeu força após ser derrotado no BAFTA e no SAG. Moura permanece como o nome que os críticos mais citam quando imaginam uma virada histórica na noite.
“O Agente Secreto” e a batalha pelo filme internacional
A categoria de Melhor Filme Internacional reúne, neste ano, um grupo particularmente competitivo. “Valor Sentimental”, da Noruega, chega como favorito após sua trajetória impressionante na temporada — o filme foi o único rival real de “Pecadores” na disputa pelo Roteiro Original, segundo a imprensa especializada. Ainda assim, a presença de “O Agente Secreto” entre os finalistas coloca o Brasil em uma posição que poucos esperavam no início do ciclo de premiações.
A produção brasileira se beneficia do prestígio acumulado por Moura na corrida a Melhor Ator, o que amplia a visibilidade do filme entre os votantes da Academia. Em categorias internacionais, esse tipo de conexão com outras disputas relevantes costuma influenciar a percepção dos membros — e pode aproximar “O Agente Secreto” de uma surpresa que o país ainda não viveu nesta categoria.
Direção de elenco: a categoria inédita e o Brasil como azarão
O Oscar 2026 estreia a categoria de Melhor Direção de Elenco e “O Agente Secreto” aparece entre os concorrentes. A favorita consensual é Francine Maisler por “Pecadores”, e a principal rival é Cassandra Kulukundis. A participação brasileira nesta disputa, mesmo na condição de azarão, marca a estreia do país em uma categoria que promete ganhar relevância crescente nas próximas edições.
A nova categoria foi criada para reconhecer o trabalho de diretores de casting, profissionais historicamente ignorados pelo prêmio. Ao incluir “O Agente Secreto” entre os indicados, a Academia sinaliza o alcance internacional do filme — e oferece ao Brasil mais uma oportunidade de aparecer na maior noite do cinema mundial. Mas quem sabe o filme brasileiro leva o prêmio com o diretor de elenco Gabriel Domingues, o que seria um enorme feito.
A noite do domingo e o que o Brasil pode esperar
A cerimônia deste domingo promete ser dominada pelo confronto entre “Uma Batalha Após a Outra”, de Paul Thomas Anderson, e “Pecadores”, de Ryan Coogler. O primeiro varreu os principais precursores da temporada; o segundo detém o recorde histórico de 16 indicações. Nesse cenário de disputa entre gigantes, as chances brasileiras dependem exatamente da imprevisibilidade que marca este Oscar.
Uma virada de Wagner Moura em Melhor Ator seria, nas palavras da própria imprensa americana, uma das maiores surpresas da história recente do prêmio. O favorito é Michael B. Jordan, pelos gêmeos de “Pecadores”.
Uma vitória de “O Agente Secreto” no filme internacional exigiria que a Academia optasse pela emoção em vez do favoritismo. Nenhum dos dois cenários é provável — mas ambos são possíveis, e é justamente isso que mantém o Brasil na conversa até o apagar das luzes no Dolby Theatre.
Com mapeamento preliminar das chances feito por IA.


