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Itamaraty revoga visto de assessor de Trump que visitaria Bolsonaro na prisão

Há 8 meses
Atualizado sexta-feira, 13 de março de 2026

Da redação

O ministério das Relações Exteriores revogou o visto de Darren Beattie, assessor sênior do presidente norte-americano Donald Trump para assuntos relacionados ao Brasil,. Ele planejava visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na unidade prisional conhecida como Papudinha, no Distrito Federal. A decisão veio após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), reconsiderar uma autorização prévia e proibir o encontro, com base em parecer do próprio Itamaraty.

A viagem e o pedido de visita

A defesa de Bolsonaro havia protocolado, em 10 de março, um pedido formal para que Beattie pudesse visitá-lo no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, onde o ex-presidente cumpre pena de 27 anos após ser condenado por envolvimento na tentativa de golpe de 2022. Como relator do processo, Moraes detém a prerrogativa de aprovar ou recusar qualquer solicitação desse tipo, desde que por decisão fundamentada.

Em um primeiro momento, o ministro chegou a autorizar o encontro para o dia 18 de março, embora em data diferente da solicitada pelos advogados de defesa. A equipe jurídica recorreu da decisão, argumentando que Beattie estaria em São Paulo no dia 18 para participar de um evento sobre terras raras e minerais críticos, e pediu que a visita fosse antecipada para 17 de março.

Antes de dar uma resposta definitiva ao recurso, Moraes consultou o Itamaraty sobre a agenda diplomática do assessor americano no Brasil — consulta que se tornaria determinante para a reversão da decisão.

O que o Itamaraty disse

A resposta do Ministério das Relações Exteriores, assinada pelo chanceler Mauro Vieira, foi direta e politicamente sensível. Segundo o documento, no contato feito para a obtenção do visto, Beattie não havia mencionado qualquer interesse em realizar visitas fora dos objetivos oficialmente declarados ao Departamento de Estado americano. O visto, portanto, tinha sido concedido com base exclusivamente na justificativa apresentada pela diplomacia norte-americana.

O chanceler foi além da questão processual e levantou um alerta político relevante: a visita de um funcionário do governo estrangeiro a um ex-presidente preso, em ano eleitoral, poderia ser interpretada como interferência nos assuntos internos do Brasil. O argumento encontrou eco imediato na fundamentação da nova decisão de Moraes.

Com base no parecer do Itamaraty, o ministro do STF concluiu que a visita solicitada pela defesa de Bolsonaro não se enquadrava no contexto diplomático que motivou a concessão do visto e que tampouco havia sido comunicada previamente às autoridades brasileiras competentes. Moraes chegou a sinalizar que a situação poderia resultar até na reanálise do próprio visto já concedido ao assessor americano — o que, na prática, colocaria em risco a permanência de Beattie em solo brasileiro.

Quem é Darren Beattie

Nomeado por Trump para o cargo de assessor sênior com foco na política do governo federal em relação ao Brasil, Darren Beattie é conhecido por posições críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e já protagonizou episódios polêmicos envolvendo diretamente o ministro Alexandre de Moraes. Sua nomeação foi interpretada por analistas como um sinal claro de que o governo Trump pretendia interferir, ao menos retoricamente, na política brasileira.

O presidente Lula, em declaração pública após o ocorrido, afirmou que Beattie só será bem-vindo ao Brasil quando o ministro da Saúde brasileiro puder viajar livremente aos Estados Unidos — uma referência às restrições impostas pelo governo americano a determinados funcionários do governo federal brasileiro.

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