Edifício-sede do STF com estátua da Justiça na frente

Pela primeira vez, mais brasileiros desconfiam do STF do que confiam, aponta Quaest

Há 1 hora
Atualizado quinta-feira, 12 de março de 2026

Da Redação

Pela primeira vez desde que a série histórica começou a ser medida, mais brasileiros desconfiam do Supremo Tribunal Federal (STF) do que confiam nele. Uma pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira, 12 de março, mostra que a confiança na Corte caiu para 43% — enquanto 49% dos entrevistados afirmaram não confiar no tribunal. O levantamento foi realizado em meio ao escândalo do Banco Master, que envolveu os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.

Queda acelerada em relação à pesquisa anterior

Em agosto de 2025, metade dos brasileiros — exatos 50% — ainda declarava confiar no STF. Agora, esse número recuou sete pontos percentuais em poucos meses. Embora a confiança já viesse caindo desde novembro de 2022, logo após as eleições presidenciais, o ritmo de queda era mais gradual nas rodadas anteriores.

Do outro lado, os que dizem não confiar no tribunal seguem em trajetória de alta. Eram 47% na última medição e agora chegam a 49%, superando pela primeira vez o grupo dos que confiam — ainda que dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

Maioria acha que o STF tem poder demais

Além da queda na confiança, a pesquisa revela um desconforto mais amplo com o papel da Corte. Sete em cada dez brasileiros — 72% — acham que o STF concentra poder demais. Já 66% consideram importante votar, nas eleições para o Senado, em candidatos comprometidos com o impeachment de ministros do tribunal.

Essa bandeira tem sido defendida por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como estratégia central para a disputa pela Câmara Alta. O cenário eleitoral preocupa o entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), especialmente após a mesma Genial/Quaest indicar que o senador Flávio Bolsonaro (PL) passou a empatar tecnicamente com Lula em um eventual segundo turno.

O escândalo que respingou no Supremo

O Banco Master e seu ex-presidente, Daniel Vorcaro, estão no centro da crise. A pesquisa mostrou que 65% dos entrevistados já sabiam da prisão de Vorcaro, enquanto 33% não tinham conhecimento do fato.

Quando questionados sobre quem foi mais prejudicado pelo escândalo, 40% responderam que todas as instituições citadas foram afetadas negativamente. Entre as opções individuais, o STF e o Judiciário aparecem com 13%, seguidos pelo governo Bolsonaro (11%), governo Lula (10%), Banco Central (5%) e Congresso (3%).

Impacto nas urnas ainda é incerto

O escândalo também pode influenciar o voto dos eleitores. Segundo o levantamento, 38% disseram que evitariam votar em candidatos ligados ao caso Master. Outros 29% afirmaram que levariam o tema em conta na hora de decidir, enquanto 20% responderam que o assunto não pesaria na escolha.

A avaliação do presidente Lula, segundo seu entorno, é de que o escândalo funciona como um “biombo” que encobre as realizações de seu governo — o que ajudaria a explicar o impacto nas intenções de voto.

Como os ministros foram envolvidos

A conexão com os ministros do STF veio por caminhos distintos. No caso de Dias Toffoli, o jornal O Estado de S. Paulo revelou que um fundo ligado a Fabiano Zettel — cunhado de Vorcaro — comprou parte de uma empresa do ministro no resort Tayayá. Toffoli primeiro negou ter sociedade no empreendimento, mas recuou após um relatório da Polícia Federal. Na última quarta-feira, ele se declarou suspeito para julgar tanto a prisão de Vorcaro quanto um pedido de instauração de CPI para investigar o Master.

Já Alexandre de Moraes foi associado ao escândalo porque o escritório de advocacia de sua esposa fechou um contrato de R$ 129 milhões com o banco de Vorcaro, por três anos de serviços — informação revelada pelo jornal O Globo.


A Genial/Quaest entrevistou presencialmente 2.004 eleitores entre os dias 6 e 9 de março de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

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