Prisão preventiva ocorre após suspeitas de destruição de provas e movimentações irregulares com quase R$ 1 bilhão em recursos
A Polícia Federal prendeu nesta segunda-feira (2), em Itatiaia (RJ), Deivis Marcon Antunes, ex-presidente do Rioprevidência, fundo de pensão dos servidores do Estado do Rio de Janeiro. A ordem partiu da 6ª Vara Federal Criminal do Rio, que apontou risco concreto de destruição de provas e obstrução das investigações da Operação Barco de Papel, que apura aportes irregulares no Banco Master.
Antunes é investigado pela aplicação de cerca de R$ 970 milhões em letras financeiras emitidas pelo banco, que foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025. Os aportes ocorreram entre novembro de 2023 e julho de 2024 e equivalem a quase 8% dos ativos sob gestão do Rioprevidência.
Antunes foi localizado em veículo alugado após tentar evitar cerco policial
A prisão ocorreu após um movimento evasivo do ex-presidente. Antunes havia viajado com a família para Los Angeles, nos Estados Unidos, em 15 de janeiro, e retornaria ao Rio no dia 2 de fevereiro. Fontes afirmam que, para evitar um eventual cerco no aeroporto carioca, ele desembarcou em Guarulhos (SP) e tentou fazer o trajeto de carro até o Rio de Janeiro, sendo capturado em Itatiaia por equipes da PF e da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Segundo a PF, após a primeira fase da operação — que incluiu mandado de busca e apreensão no apartamento de Antunes — foram identificadas movimentações suspeitas, como retirada de documentos, manipulação de provas digitais e transferência de dois veículos de luxo para terceiros. Ele havia sido exonerado do cargo no dia em que a operação foi deflagrada.
Justiça também determina prisões em SC e buscas no RJ
Além de Antunes, outros dois mandados de prisão temporária foram cumpridos em Itapema, Santa Catarina, contra dois irmãos ligados a um escritório de advocacia. Os nomes não foram divulgados. A Justiça também expediu nove mandados de busca e apreensão em endereços de investigados no Rio e em Santa Catarina.
A Operação Barco de Papel foi deflagrada para apurar a forma acelerada e supostamente irregular como o Banco Master foi credenciado pelo Rioprevidência para receber os investimentos.
TCE-RJ aponta falhas no processo de credenciamento do banco
Antunes assumiu a presidência do Rioprevidência em julho de 2023, nomeado pelo governador Cláudio Castro. Em outubro daquele ano, indicou Eucherio Lerner Rodrigues como diretor de investimentos, e a relação com o Banco Master se iniciou no mês seguinte.
As aquisições das letras financeiras começaram ainda em novembro de 2023. Segundo relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), os investimentos foram feitos de maneira irregular e envolveram um processo acelerado de credenciamento do banco, então em situação financeira delicada.
Ex-diretores também estão sob investigação
Após a saída de Rodrigues, o cargo foi assumido interinamente por Pedro Pinheiro Guerra Leal, que em dezembro de 2025 também foi exonerado, seguindo recomendação do Ministério Público do Rio de Janeiro. Guerra Leal também é citado no relatório do TCE como um dos principais responsáveis pelos aportes no banco liquidado.
Em outubro de 2025, o TCE chegou a enviar um comunicado ao governador Cláudio Castro, sugerindo uma intervenção no Rioprevidência. O caso expõe fragilidades nos controles de investimentos do fundo, responsável por garantir a aposentadoria de milhares de servidores públicos estaduais.


