Eduardo Bolsonaro de terno e gravata falando num pulpito

PGR defende compartilhamento de provas contra Eduardo Bolsonaro em inquérito por coação a ministros do STF

Há 2 horas
Atualizado sexta-feira, 20 de março de 2026

Por Carolina Villela

A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou favoravelmente ao compartilhamento de provas no Inquérito 4995, que investiga o deputado cassado Eduardo Bolsonaro pela suposta coação de ministros do Supremo Tribunal Federal e tentativa de interferência na ação penal (AP) 2668 — processo em que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, foi condenado por tentativa de golpe de Estado. O pedido de compartilhamento foi formulado pela Polícia Federal, que também informou a abertura de processo administrativo disciplinar para apurar indícios de que Eduardo teria ameaçado e exposto servidores do órgão em vídeo publicado em julho de 2025.

Segundo o procurador-geral Paulo Gonet, não há impedimento jurídico ao compartilhamento do material probatório. O parecer sustenta que a medida é não apenas viável como necessária para garantir a efetividade da jurisdição e o aproveitamento de provas já produzidas, evitando o retrabalho e o desperdício de recursos públicos em diligências sobre fatos já documentados. Em novembro do ano passado, a Primeira Turma do STF havia aceitado a denúncia contra Eduardo Bolsonaro pela prática de coação no curso do processo.

Campanha de intimidação com ameaças civis, financeiras e mobilização de agentes americanos

O material probatório cujo compartilhamento foi autorizado pela PGR inclui registros de mídia, entrevistas e suas respectivas transcrições. O conjunto de elementos expõe, segundo a acusação, uma campanha orquestrada por Eduardo Bolsonaro e outros denunciados com o objetivo central de interferir no desfecho da AP 2.668/DF — ação que julgou o ex-presidente Jair Bolsonaro pela tentativa de golpe. A meta declarada nos autos era obter a extinção do processo sem condenações.

Para isso, os investigados teriam recorrido a ameaças de graves sanções civis e financeiras contra julgadores e autoridades públicas brasileiras com influência sobre o caso. O parecer da PGR aponta que algumas dessas sanções chegaram a ser efetivamente aplicadas, com a mobilização de agentes norte-americanos como instrumento de pressão. A conduta configuraria, na visão da acusação, coação direcionada a constranger e intimidar tanto ministros da Corte quanto servidores da Polícia Federal que atuavam em investigações supervisionadas pelo STF.

A PF, ao solicitar o compartilhamento, também reportou a instauração de processo administrativo disciplinar interno para apurar os indícios de que Eduardo Bolsonaro teria exposto nominalmente agentes policiais em vídeo divulgado em 20 de julho de 2025. A conduta, segundo o órgão, visava intimidar servidores em razão de sua atuação funcional nas investigações sob supervisão do Supremo.

PGR: natureza pública do inquérito afasta obstáculos ao compartilhamento

No parecer, Paulo Gonet destacou que a viabilidade do compartilhamento se fundamenta, em primeiro lugar, na natureza pública que marcou o Inquérito 4995 desde sua abertura. A investigação teve o sigilo levantado pelo relator, ministro Alexandre de Moraes.

A partir do momento em que a denúncia foi apresentada, segundo a PGR, os elementos de convicção reunidos ao longo da investigação deixaram de ser meras hipóteses investigativas para se tornarem fundamento de uma acusação formal. Nesse contexto, para o Ministério Público, o compartilhamento das provas com outros procedimentos em curso deixa de representar risco à efetividade das apurações e passa a ser instrumento de racionalização do sistema de justiça.

O procurador-geral reconheceu que o compartilhamento exige equilíbrio entre interesses contrapostos — de um lado, os direitos fundamentais dos investigados e a integridade das investigações; de outro, a efetividade da jurisdição penal. Além de evitar a repetição de diligências redescobrir fatos já conhecidos e documentados.

Autor

Leia mais

Chuck Norris, lutador e lenda dos filmes de ação, morre aos 86

Há 3 minutos
Mãos de mulher contam dinheiro à frente de uma placa do INSS

STJ passa a exigir contribuição previdenciária sobre terço de férias após decisão do STF

Há 12 minutos
ex-ministro da justiça de Jair Bolsonaro de cabeça baixa à rente de uma bandeira do Brasil

Alexandre de Moraes autoriza Anderson Torres a deixar prisão para tratamento odontológico

Há 30 minutos
Plenário do TSE lotado

TSE fixa prazo de afastamento para auditores do TCU que desejam disputar eleições

Há 47 minutos
Ministro Carlos Pires Brandão, do STJ

Ministro Carlos Pires Brandão, do STJ, nega HC e mantém preso o presidente da Rioprevidência 

Há 1 hora
Ex-presidente Jair Bolsonaro, entre policiais federais

Núcleo de Custódia da PM informa rotina hospitalar de Bolsonaro

Há 2 horas
Maximum file size: 500 MB