Cão Orelha

Polícia pede internação de adolescente e indicia adultos por morte do cão Orelha

Há 1 hora
Atualizado quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Investigação em Santa Catarina aponta autoria do crime e coação de testemunhas no caso que comoveu o país

A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu nesta terça-feira (3) a investigação sobre a morte do cão comunitário Orelha, ocorrida na Praia Brava, em Florianópolis. Ao final do inquérito, a corporação pediu a internação de um adolescente apontado como autor do crime e indiciou três adultos por coação de testemunhas. Nenhuma identidade foi divulgada.

Segundo a polícia, o pedido de internação se baseia na gravidade do caso e no conjunto de provas reunidas ao longo das apurações. A medida, prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente, é considerada equivalente à prisão aplicada a adultos.

Análise de imagens e provas técnicas embasaram investigação

De acordo com a corporação, a identificação do autor foi possível após a análise de mais de mil horas de imagens captadas por 14 câmeras de segurança instaladas na região da Praia Brava, em Florianópolis. Ao todo, 24 testemunhas foram ouvidas durante o inquérito.

A polícia informou ainda que utilizou provas materiais, como roupas atribuídas ao adolescente no dia do crime, além de registros em vídeo. Um software de origem francesa também foi empregado para analisar a localização do suspeito no momento do ataque ao animal, conforme detalhado em nota oficial.

Adolescente deixou o país após avanço das apurações

As investigações apontam que o adolescente viajou para os Estados Unidos no mesmo dia em que a polícia obteve informações que permitiram avançar na identificação dos suspeitos. O crime ocorreu em 4 de janeiro, e o menor permaneceu no exterior até o dia 29 do mesmo mês.

Ao retornar ao Brasil, o adolescente foi interceptado ainda no aeroporto. Segundo a Polícia Civil, após o desembarque, um familiar teria tentado ocultar peças de vestuário que teriam sido usadas no dia do crime, incluindo um boné e um moletom.

Ainda conforme a polícia, houve tentativa de justificar a origem das roupas como aquisição recente em viagem, versão que teria sido contraditada pelo próprio adolescente durante depoimento.

Contradições em depoimento reforçaram suspeitas

A Polícia Civil divulgou também uma cronologia detalhada do dia do crime, destacando inconsistências no relato do adolescente. Imagens de segurança mostram que ele saiu do condomínio onde mora às 5h25 da manhã e retornou pouco depois, acompanhado de uma amiga.

Em depoimento, segundo a corporação, o adolescente afirmou inicialmente que teria permanecido dentro do condomínio, versão considerada incompatível com as imagens obtidas durante a investigação.

A polícia informou que adotou cautela ao longo das apurações para evitar vazamentos, considerando o risco de fuga ou descarte de provas, como aparelhos celulares.

Adultos são indiciados por coação de testemunhas

Além do pedido de internação do adolescente, três adultos foram indiciados por coação de testemunhas. As investigações foram conduzidas pela Delegacia Especializada no Atendimento de Adolescentes em Conflito com a Lei e pela Delegacia de Proteção Animal, ambas vinculadas à Polícia Civil em Florianópolis.

O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público e ao Judiciário para análise das medidas cabíveis.

Caso Caramelo também é concluído

No mesmo relatório, a Polícia Civil concluiu a apuração de um segundo episódio envolvendo maus-tratos contra outro cão comunitário, conhecido como Caramelo. Quatro adolescentes foram responsabilizados no âmbito desse caso.

Segundo a corporação, Caramelo conseguiu sobreviver e foi resgatado. Posteriormente, o animal foi adotado pelo delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel.

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