Por Hylda Cavalcanti
O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro Vieira de Mello Filho, aproveitou a sessão desta segunda-feira (09/03) um dia após o Dia Internacional da Mulher, para criticar a disseminação de discursos de violência contra mulheres nas redes sociais e a necessidade de serem discutidas mudanças culturais, bem como possíveis formas de regulação da internet.
O magistrado citou o caso de estupro coletivo ocorrido em Copacabana, no Rio de Janeiro, recentemente, e chamou a atenção para a repercussão da imagem de um dos réus, que se apresentou à polícia usando uma camiseta com a frase em inglês “Regret nothing” (“não se arrependa de nada”). Segundo ele, a expressão é associada ao universo conhecido como redpill, frequentemente citado em debates sobre misoginia online.
Integridade física das mulheres
Vieira de Mello também chamou o crescimento de conteúdos na internet que incentivam violência contra mulheres e meninas de “epidemia” e destacou que “a proteção à integridade física das mulheres é um indicador essencial de desenvolvimento democrático e civilizatório”.
“A violência de gênero gera impactos sociais amplos e compromete a participação plena das mulheres na vida política, social e econômica”, enfatizou o magistrado.
Participação política, social e produtiva
Ele acrescentou, ainda, que “quando vivemos em uma sociedade que não é segura para a integridade física e para a própria sobrevivência das mulheres, estamos falando da ausência de possibilidade de participação política, social e produtiva de 51,5% da população brasileira.”
Ao final da manifestação, o ministro citou a filósofa francesa Simone de Beauvoir, ao afirmar que “uma sociedade não pode ser considerada plenamente democrática quando metade de sua população não desfruta de igualdade e liberdade”.
— Com informações do TST


