Pressão dentro do partido busca impedir exigência de aval do Congresso para futuras ações militares contra o regime venezuelano
Líderes do Partido Republicano no Senado dos Estados Unidos iniciaram uma ofensiva para impedir a aprovação de uma resolução que limitaria os poderes do presidente Donald Trump para realizar ações militares na Venezuela sem a autorização do Congresso. A medida visa conter dissidências internas e evitar que o Legislativo retome protagonismo em decisões de guerra, como prevê a Constituição americana.
A resolução, que conta com apoio dos democratas e de alguns republicanos, exigiria que qualquer envolvimento das Forças Armadas em hostilidades contra a Venezuela só ocorresse após aprovação do Congresso. A proposta ganhou força após a operação militar que capturou o presidente venezuelano Nicolás Maduro, além de dezenas de ataques navais realizados por forças dos EUA na região do Caribe e do Pacífico.
Mudança de voto enfraquece oposição à Casa Branca
A mobilização da liderança republicana já surtiu efeito sobre ao menos um senador. Josh Hawley, do Missouri, havia apoiado a proposta inicialmente, mas voltou atrás após conversas com o presidente Trump e com o secretário de Estado Marco Rubio. Segundo ele, as garantias recebidas indicam que não haverá nova ofensiva sem consulta ao Legislativo.
“Recebi o compromisso de que os procedimentos de notificação serão seguidos e que o Congresso será consultado antes de qualquer ação futura”, afirmou Hawley na manhã de quarta-feira (14). A declaração marca uma reviravolta em relação à sua posição da semana anterior, quando havia defendido o papel do Congresso na autorização de operações militares no exterior.
Senadores republicanos divididos sobre atuação militar
Além de Hawley, outros quatro senadores republicanos haviam apoiado a proposta. Agora, a atenção se volta para Todd Young (Indiana) e Susan Collins (Maine), considerados decisivos para a votação. Já Lisa Murkowski (Alasca) e Rand Paul (Kentucky) reafirmaram sua posição favorável à resolução, mantendo o apoio à exigência de autorização legislativa.
O líder da maioria no Senado, John Thune (Dakota do Sul), argumentou que a medida não deveria seguir adiante, pois “não existem hostilidades em curso” na Venezuela. Essa tese busca invalidar o mérito da resolução por meio de uma manobra regimental que pode impedir sua votação direta.
Governo nega envolvimento militar atual
Em resposta a um pedido oficial do senador James Risch (Idaho), o secretário Marco Rubio declarou que a operação militar na Venezuela, denominada “Absolute Resolve”, já foi concluída e que “não há tropas americanas atualmente em território venezuelano”. Ainda segundo Rubio, qualquer nova ação será “consistente com a Constituição” e o Congresso será notificado.
Democratas, porém, contestam essa versão. O senador Tim Kaine (Virgínia), um dos autores da resolução, criticou o argumento do governo e afirmou que “o controle político e econômico da Venezuela ainda é exercido por meio da presença militar dos EUA”.
Resolução busca reforçar limites constitucionais
A proposta liderada por Kaine, Adam Schiff (Califórnia), Chuck Schumer (Nova York) e Rand Paul visa reafirmar os limites constitucionais ao poder presidencial sobre o uso da força. Ela determina a retirada de tropas envolvidas em hostilidades não autorizadas pelo Congresso e exige prestação de contas antes de qualquer nova ação.
Mesmo que aprovada pelo Senado, a resolução precisaria passar pela Câmara dos Deputados — que já rejeitou propostas semelhantes anteriormente — e enfrentaria, ao final, um provável veto de Trump. A articulação republicana atual tenta, portanto, evitar que a pauta chegue a esse estágio, encerrando o debate ainda na fase procedimental.


