Almior Garnier, ex-comandante da Marinha acusado de golpe de Estado

STF retoma interrogatórios com depoimento de ex-comandante da Marinha

Há 9 meses
Atualizado sexta-feira, 15 de agosto de 2025

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal retoma nesta terça-feira os interrogatórios dos réus envolvidos na trama golpista, com foco no depoimento do almirante Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha durante o governo Bolsonaro. A expectativa é que a sessão, iniciada às 9h, avance para interrogar a maior parte dos seis réus que ainda não prestaram depoimento.

Os interrogatórios são conduzidos pelo ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal. Todos os réus participam presencialmente na sala da Primeira Turma do STF. A única exceção é o ex-ministro Walter Braga Netto, que acompanha por videoconferência devido à prisão preventiva.

Na segunda-feira, foram ouvidos Mauro Cid, primeiro por ser colaborador da Justiça, e Alexandre Ramagem. As oitivas seguem ordem alfabética entre os oito réus do primeiro núcleo investigado. Sem previsão de horário para término, a sessão pode estender-se por várias horas.

Acusações contra Almir Garnier

O almirante Almir Garnier é suspeito de ter concordado com plano golpista de Bolsonaro. O esquema visaria impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A defesa de Garnier, conduzida pelo advogado Demóstenes Torres, nega participação no plano.

Durante interrogatório de segunda-feira, Mauro Cid fez revelações comprometedoras sobre Garnier. Cid afirmou ao STF que o almirante colocou tropas da Marinha “à disposição”. O objetivo seria apoiar um plano de ruptura institucional no país.

Revelações de Mauro Cid

Em cerca de quatro horas de depoimento, Cid trouxe detalhes inéditos da investigação. O colaborador confirmou que Bolsonaro alterou pessoalmente minuta de decreto golpista. A informação reforça o protagonismo do ex-presidente na articulação do esquema.

Cid também reafirmou ter recebido dinheiro em espécie do general Braga Netto. O valor foi entregue dentro de caixa de vinho no Palácio da Alvorada. O destino era o major Rafael Martins de Oliveira, apontado como operador da tentativa de golpe.

Dinâmica dos interrogatórios

Durante as sessões, Moraes ocupa a cadeira da presidência da Primeira Turma. Os réus ficam sentados lado a lado, acompanhados de seus advogados. Quando chamado, cada interrogado se dirige a mesa localizada à frente dos demais.

Além de Cid e Ramagem, que já prestaram depoimento, serão ouvidos seis réus. O grupo inclui o ex-presidente Jair Bolsonaro e três ex-ministros. São eles Augusto Heleno, Anderson Torres e Paulo Sério Nogueira.

Os interrogatórios representam etapa crucial da ação penal sobre a trama golpista. As revelações podem definir os rumos do processo contra os investigados. A Primeira Turma do STF deve concluir esta fase nos próximos dias.

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