STJ mantém prisão da “Loira do PCC”, apontada como liderança da facção em São Paulo

Há 40 minutos
Atualizado quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Da redação

O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Herman Benjamin, negou o pedido de liberdade de Letícia de Sousa Bezerra, conhecida como “Loira do PCC”, apontada pelos investigadores como uma das lideranças do Primeiro Comando da Capital em São Paulo. A decisão, tomada no HC 1.067.071, mantém a prisão preventiva da mulher, que foi capturada em fevereiro de 2025 após três anos foragida, acusada de tráfico de drogas, associação para o tráfico e participação em organização criminosa.

As investigações indicam que Letícia exerceria função de liderança na Zona Sul da capital paulista, em Taboão da Serra e em municípios do ABC Paulista, especialmente São Bernardo do Campo. Segundo a acusação, a investigada atuava como elo estratégico com os escalões superiores da facção criminosa.

Três anos foragida reforçam necessidade da prisão

Segundo o Ministério Público, o fato de Letícia ter permanecido foragida por três anos reforça a necessidade da manutenção de sua prisão preventiva, especialmente diante do papel de liderança que lhe é atribuído. Para os promotores, a manutenção da prisão é fundamental para preservar a ordem pública e impedir a continuidade das atividades criminosas.

A defesa impetrou habeas corpus alegando excesso de prazo da prisão preventiva, em razão da demora na prolação da sentença após o encerramento da instrução processual. O pedido foi rejeitado em primeira instância e o entendimento foi mantido pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.

Ao recorrer ao STJ, a defesa afirmou que a instrução está encerrada há quase dois anos e criticou a aplicação automática de súmulas do tribunal, sustentando que a gravidade abstrata dos delitos não basta para justificar a prisão preventiva sem fundamentação concreta.

Presidente do STJ afasta ilegalidade manifesta

O ministro Herman Benjamin destacou que não há ilegalidade manifesta nem situação de urgência que justifique o deferimento imediato da liberdade. Segundo o presidente do STJ, o acórdão do tribunal estadual não apresenta caráter teratológico, circunstância que poderá ser examinada com maior profundidade pelo colegiado competente.

“A parte impetrante aduz que a paciente espera por mais de 500 dias presa para ser julgada. No entanto, está adotando marco temporal que não o dia da efetiva prisão, pois a paciente se encontrava foragida há mais de três anos quando da implementação da custódia cautelar”, afirmou o ministro.

O mérito do habeas corpus será analisado pela Sexta Turma do STJ, sob a relatoria do ministro Og Fernandes. Enquanto aguarda o julgamento definitivo, a “Loira do PCC” permanece presa preventivamente.

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