Uma poderosa tempestade de inverno atingiu o leste dos Estados Unidos e partes do Canadá no fim de semana, causando ao menos 12 mortes, deixando cerca de 830 mil residências e comércios sem energia e provocando o cancelamento de mais de 15 mil voos. O frio extremo e a neve intensa afetaram 17 estados americanos e diversas cidades canadenses, com registros históricos de baixas temperaturas e precipitação.
Nevasca atinge 17 estados e causa mortes por hipotermia
A tempestade começou no sábado (24) e avançou rapidamente, atingindo do Novo México a New Hampshire, nos Estados Unidos. Ao menos 12 pessoas morreram em consequência direta do frio — incluindo cinco em Nova York, três no Tennessee, e uma em cada um dos estados de Kansas, Texas e Louisiana. Muitas mortes estão sendo investigadas como casos de hipotermia.
Governadora de Nova York, Kathy Hochul, mobilizou 100 membros da Guarda Nacional para atuar em regiões como Long Island e Vale do Hudson. “Estamos enfrentando o maior volume de neve e a sequência mais longa de frio intenso dos últimos anos”, afirmou.
Apagões atingem centenas de milhares de pessoas
O colapso da rede elétrica foi uma das consequências mais graves da tempestade. Cerca de 830 mil consumidores ficaram sem luz, principalmente nos estados do Sul, como Texas, Louisiana, Mississippi e Tennessee. Em Oxford, Mississippi, cerca de 20 mil casas ficaram no escuro após uma tempestade de gelo derrubar árvores e linhas de transmissão.
Autoridades locais abriram centros de aquecimento emergenciais para proteger a população. O xerife de Lafayette County, Joey East, comparou a situação com a devastadora nevasca de 1994, que deixou parte do estado sem energia por semanas.
Nova York sob teste: prefeito enfrenta sua primeira grande crise
Em Nova York, o prefeito Zohran Mamdani enfrentou sua primeira grande prova de gestão. Com mais de 8,8 polegadas de neve acumuladas no Central Park e temperaturas abaixo de 10°F (-12°C), ele coordenou uma operação com 2.200 veículos de limpeza e 700 espalhadores de sal nas ruas.
Apesar de críticas pontuais sobre a lentidão na remoção da neve, Mamdani recebeu elogios até de opositores, como o ex-assessor de Eric Adams, Benny Polatseck. “Está lidando bem com a tempestade até agora”, disse.
Canadá também sofre com neve recorde
Toronto, a maior cidade do Canadá, viveu no domingo (25) o que pode ter sido seu dia mais nevoso da história. O Aeroporto Internacional Pearson registrou 18 polegadas (46 cm) de neve, com expectativa de ultrapassar o recorde de 19 polegadas registrado em 1944.
A prefeita Olivia Chow declarou “condição de tempestade grave” e mobilizou mais de 600 tratores para limpar ruas e calçadas. Todas as bibliotecas públicas e diversas escolas foram fechadas.
Impacto no transporte: voos cancelados e trens parados
Mais de 15 mil voos foram cancelados nos EUA, de acordo com o site FlightAware — o pior cenário desde o início da pandemia de Covid-19. Amtrak suspendeu parte das viagens no corredor nordeste por falhas de comunicação causadas pela tempestade.
No transporte urbano, o metrô de Nova York funcionou com atrasos, e várias linhas ficaram suspensas. Ônibus em Washington, D.C., pararam de circular na noite de domingo, e o sistema de ferry da cidade também foi interrompido.
População tenta manter a rotina sob o frio extremo
Apesar do caos, muitos moradores seguiram com suas rotinas. Restaurantes no West Village estavam lotados, e moradores saíam para correr ou passear com cães mesmo com o frio abaixo de zero. Crianças aproveitaram para brincar na neve, enquanto trabalhadores da área de saúde e vendedores ambulantes encaravam a tempestade com resiliência.
Para proteger os mais vulneráveis, cidades como Nova York abriram centros de acolhimento e intensificaram as ações de acolhimento de pessoas em situação de rua, com algumas internações sendo feitas de forma compulsória durante a “emergência climática Code Blue”.


